A pirotecnia pega

Estadão

26 Fevereiro 2010 | 16h40

A amalucada ação da polícia paulista ontem na Cracolândia (centro de São Paulo) contra usuários de crack, que chocou o secretário municipal da Saúde, Januário Montone , vem de longa data e tem manifestações semelhantes em diferentes cidades no País.

Rampas anti mendigos, bancos que evitam cochilo na praça, pedras para ninguém poder descansar no chão, kombis que despejam pessoas em outras cidades fazem parte do pacote que os governos têm utilizado para dar conta da população de rua, de usuários de álcool e outras drogas ou que sofre de diferentes doenças mentais e perambulam pelas cidades.

Em  São Paulo, tudo começou em 2005, na gestão Serra/Kassab, com as célebres rampas anti mendigos sob viaduto da avenida Paulista. Os jovens moradores de rua seguiram para a avenida Sumaré.

Enquanto isso, o então secretário das Subprefeituras paulistanas não escondia de ninguém seu verdadeiro horror às políticas de redução de danos praticadas na Cracolândia por integrantes de ONGs,   cachimbos individuais como primeiro passo para se aproximar dos usuários de crack. Foi o mesmo secretário que colocou separações de metal nos bancos da Praça da República. Ganhou adepto recente no Rio de Janeiro, onde a administração Eduardo Paes há alguns meses colocou pedras para afugentar pessoas que dormiam sob viadutos.

Em São Paulo a Cracolândia espalhou-se, reconfigurou-se, retornou ao mesmo lugar. As autoridades da saúde ainda batem cabeça para achar a saída, mas começaram campanhas contra experimentar a droga _ nunca experimentar o crack  é a única solução. A ação da saúde não é pirotécnica, é de longa duração, lenta, talvez demore anos para mostrar resultados, mas o caminho é por aí.

O secretário Januário Montone, que é tucano, homem forte do governador José Serra _ e  conhecido por não guardar suas indignações_talvez tenha feito um grande serviço contra as políticas higienistas que a todo o momento ameaçam a ação dos setores de saúde.