A receita contra a gripe

Estadão

27 Abril 2009 | 02h19

A receita contra a gripe suína, que já chegou ao México, EUA, Canadá e Espanha, é a boa informação. Não é hora para crer naqueles e-mails de origem desconhecida que certamente baixarão na sua caixa com informações “jamais reveladas” sobre o problema. Também não é o momento de dar ouvidos aos amigos hipocondríacos _certamente alguns já andam por aí esfregando suas bolas de cristal antes mesmo de termos qualquer prova da circulação do vírus no Brasil.

Claro que a situação é preocupante, o que já foi colocado claramente pela Organização Mundial da Saúde e está em todos os veículos de comunicação: o vírus é novo e a forma de transmissão, de humano para humano, também. O órgão já discute se podemos dizer que estamos em uma pandemia. Mas, diferentemente de 1918-1919, quando vivemos a pandemia de gripe espanhola, a informação hoje se dissemina muito mais rápido do que qualquer vírus e, se for boa informação, o mundo superará mais facilmente a nova doença.

Fiquei preocupada mesmo, hoje, com alguns amigos que, com pleno acesso aos jornais, livros, os melhores sites, já estão pensando em ir atrás de pílulas salvadoras. Calma lá. Sinal de que governos e nós, jornalistas, teremos de acertar esta via de comunicação.

Três pontos importantes:

– A gripe não chegou ao Brasil, não há motivo para pânico, não é preciso fazer nada. O sistema de vigilância já foi ativado e há muita gente vigiando, nós jornalistas inclusive, para evitar deslizes. Hoje, por exemplo, o Jornal da Tarde revela uma falha na vigilância do aeroporto de Guarulhos que as autoridades já prometem corrigir

– Não saia comprando ou tomando remédios, vacinas, não existe esta recomendação ainda de qualquer autoridade de saúde _veja bem, seu vizinho médico pode até ACHAR alguma coisa, mas ele pode não ter experiência alguma com saúde pública. É melhor dar seu voto de confiança para quem está na linha de frente da batalha e não quer sair arranhado

-Além de jornais e revistas de credibilidade, procure também os sites oficiais para informação, o da OMS, do Ministério da Saúde. Delete os spams

Aliás, torço para que, neste momento, as autoridades de saúde empenhem-se na divulgação dos dados para o público. Entrevistas, muitas entrevistas. Informações atualizadas online. Perguntas e respostas em linguagem simples. Porta-vozes pacientes para muitas questões, mesmo as mais estapafúrdias. Atas, resumos de reuniões na Internet. Transparência dá credibilidade e uma derrapada neste momento pode ser pior do que as mutações do vírus influenza (o vírus da gripe).

PS: E você? Tem alguma dúvida sobre a gripe suína? Envie que ajudarei a esclarecer.