A ressaca pós Paris

Estadão

21 Fevereiro 2010 | 21h57

Obrigada pelos comentários valorosos no post anterior. Ainda sobre o mesmo tema: lembro que não é novidade a indústria que produz substâncias psicoativas associar limites para o uso e propaganda de drogas a tentativas de restringir as liberdades individuais, à censura. Basta ler os documentos da indústria do fumo, que por anos negou os males do fumo passivo e tenta até hoje restringir ambientes livres de tabaco sob essa alegação. Tudo parte de um cuidadoso programa de marketing chamado Convivência e Harmonia (veja a seção tabagismo do blog). Cada um na sua, dizia mais ou menos assim a propaganda de um cigarro há alguns anos.

Por isso concordo com José Salvagni, que lembrou que não dá para associar limites para a publicidade de drogas e afrontas à liberdade de expressão jornalística. Aqui, estamos falando de uma substância que, sim, mata se mal utilizada e cuja publicidade pode sim contribuir para seu mau uso. Ou alguém já esqueceu das cervejarias que anunciavam com a ajuda de figuras do mundo infantil, como caranguejinhos e um sol falante?

Bem, se se até o próprio Conselho de Autorregulamentação, que une veículos, anunciantes e agências de publicidade, fala de limites, por qual motivo toda a sociedade não pode debater e discutir regras?

Peço desculpas pela demora que alguns sofreram para ver suas opiniões na página. Estão aqui, mesmo as que mandam a repórter simplesmente … beber. Obrigada.