A "superbactéria" não é um novo bicho

Estadão

26 Outubro 2010 | 23h06

Jornalisticamente, o termo superbactéria tem sido utilizado para indicar que circula nos nossos hospitais uma cepa resistente a maioria dos antibióticos conhecidos, inclusive os da classe dos carbapenemos.

O nome verdadeiro do bicho é KPC, sigla para Klebisiella pneumoniae (o C quer dizer resistente aos antibióticos carbapenêmicos). Trata-se de uma bactéria que geralmente se aloja no trato gastrointestinal e que só causa estrago em quem já está hospitalizado e debilitado, explicam especialistas.

O infectologista Claudio Gonsalez, que atua no Hospital das Clínicas da USP, no Hospital Vila Lobos e no Hospital Emílio Ribas, todos em São Paulo, destaca: não há risco nem para os funcionários que circulam nas unidades hospitalares. Para ele, o termo superbactéria é inadequado porque dá a entender que estamos falando de uma bactéria que se comporta de maneira diferente da suas parentes menos preparadas, um novo bicho que causa mais danos. Na verdade, porém, a KPC causa os mesmos tipos de problemas nos pacientes, a diferença é que resistem às armas mais utilizadas para combatê-las.

Dentro de 60 dias, contados a partir de hoje, todas as unidades de saúde, hospitais, consultórios, clínicas, terão de ter dispensadores de álcool em gel para seus funcionários, preferencialmente perto dos leitos do paciente, para que os profissionais de saúde lavem as mãos, medida comprovadamente simples e barata para evitar infecções hospitalares como as geradas pela KPC.