Apenas uma pergunta

Estadão

21 Agosto 2009 | 21h20

Uma pergunta importante segue sem resposta na epidemia de gripe suína no País. Ainda não sabemos quantas das 402 pessoas que já que morreram no Brasil comprovadamente pela doença tomaram de fato doses de fosfato de oseltamivir, medicamento que, segundo a Organização Mundial da Saúde, merece mais estudos para ser tratado como a principal arma contra a pandemia.

Aliás, não há ainda conclusão alguma sobre a causa da maioria das mortes. Questionados, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde de SP, onde estão concentrados a maior parte dos óbitos, informaram não dispor de dados.

Por alguns dias, o ministério manteve em seu boletim epidemiológico uma única informação sobre o uso da droga, de que a mediana de tratamento no Brasil era de 3 dias, apesar de a bula do remédio indicar melhor eficácia se o uso ocorrer em até 48 horas após os sintomas. Depois que a imprensa publicou, a informação sumiu.

Outra lacuna são os dados sobre testes a respeito da eventual resistência da droga ao vírus, já registrada em outros países. Zero de informação nos boletins das autoridades sanitárias.

Em razão da limitação das 48 horas, o Tamiflu já é uma droga de uso restrito. Estudo publicado em 2007 por pesquisadores da Unifesp apontou que a maioria dos pacientes só procura ajuda para sintomas da gripe depois deste prazo. Além disto, não foram poucas as famílias que relataram demora para o tratamento. É preciso lembrar ainda que a resistência ao oseltamivir é importante para a gripe sazonal (comum).

E aqui? O remédio chegou? O tratamento funcionou? Havia outros fatores que contribuíram para a morte? O vírus era resistente ao remédio? Ainda não há estudos científicos para respaldar nenhuma resposta.

PS: Em maio deste ano o blog questionou a manutenção das propagandas de remédios de gripe apesar da possibilidade de pandemia do novo vírus da doença. Mais a frente, uma reportagem do Estadão fez o mesmo, e ali as autoridades informaram não ver nada que chamasse atenção para os comerciais. Pois bem, epidemia instalada, há duas semanas a Anvisa mudou de ideia sobre os anúncios resolveu, finalmente, suspender os comerciais pelo risco de estímulo ao incorreto tratamento da nova doença.