Gripe suína – respostas

Estadão

28 Abril 2009 | 10h10

Seguem respostas para as principais perguntas sobre a doença enviadas por leitores. A melhor receita contra a gripe suína é a informação (veja post abaixo). Envie suas dúvidas. Consulte também a página do Ministério da Saúde.

1 – As autoridades inicialmente disseram que as máscaras protegeriam sim contra a dispersão de gotículas de saliva de pessoas que poderiam estar infectadas. E também que auxiliariam quem não está doente e precisa entrar em contato com uma pessoa infectada. No entanto, nos últimos dias, a Organização Mundial da Saúde postou em sua página recomendações de proteção que NÃO INCLUEM MÁSCARAS para a população em geral (elas seriam recomendáveis apenas para quem tem de cuidar de doentes). Segundo a OMS, uma etiqueta da tosse é mais importante: tossir e espirrar cobrindo a boca com lenço de papel descartável e depois jogá-lo no lixo apropriado. Além disto, LAVAR SEMPRE AS MÃOS. Não há a recomendação de uso de máscara no Brasil, uma vez que não há evidências da circulação do vírus no País.

2 – Não é necessário se afastar de seu amigo que voltou do México, pelo que você relatou. Ele tem algum sintoma? A Organização Mundial da Saúde definiu ontem que só são casos suspeitos aqueles em que o indivíduo esteve em áreas afetadas pela doença (consulte os países no site www.saude.gov.br, no item influenza suína) nos últimos dez dias e que apresente febre repentina, acima de 38ºC, além de um ou mais dos seguintes sintomas: tosse, dificuldade respiratória, dores de cabeça, musculares e nas articulações.

3 – Ninguém deve cancelar viagens ainda, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde. Há recomendação, no entanto, de medidas de proteção, como uso de máscaras e evitar locais com aglomeração de pessoas. Mais informações podem ser obtidas no site www.saude.gov.br.

4 – Há dois antivirais que, segundo informações do Centro de Controle de Doenças, nos EUA, combatem a gripe suína se utilizados preferencialmente logo no início da infecção. Mas ainda não existe qualquer recomendação para seu uso no Brasil, uma vez que não há qualquer evidência de que o vírus esteja circulando por aqui. Comprar remédios ou usá-los desnecessariamente prejudica quem pode realmente precisar, pois ataca os estoques, contribui para o aumento de preço. E seu uso indiscriminado pode levar ao desenvolvimento de vírus mais resistentes ainda.

5- Sim, é um tipo de vírus influenza que sofreu mutação e que reúne material de vírus que atingem humanos, porcos e aves, capaz de gerar infecções em humanos e de ser transmitido de pessoa para pessoa.

6 – Não foram detectados casos gerados pelo consumo de carne de porco. Não é necessário evitar carne de porco, obviamente a bem cozida. Restaurantes mexicanos não precisam ser evitados! Não há nenhuma possibilidade de a comida mexicana causar algum problema.

7 – Quem está em países que já registram casos deve adotar as medidas veiculadas pelas autoridades locais de saúde, que em geral têm sido uso de máscara, evitar aglomerações, lavar as mãos sempre. Caso apresente febre repentina (acima de 38ºC), além de um desses sintomas (tosse, dores no corpo e na cabeça e dificuldade para respirar), procure um serviço de saúde local. Nos EUA, o site do National Institute of Health é boa fonte de informação: www.nih.gov

8 – Mais uma vez, não é necessário se afastar de nenhuma pessoa que veio do México, mas obviamente se ela tiver qualquer sintoma, deve buscar um serviço de saúde. Na página do ministério da saúde brasileiro (www.saude.gov.br) há uma lista de hospitais de referência no País, com 52 unidades.

9 – O vírus causador da gripe é o vírus influenza. Há três tipos deste vírus, A, B e C e o primeiro é o que está envolvido em grandes epidemias da doença, como a gripe espanhola, em 1918. O vírus detectado na situação atual é do tipo A e tem uma composição jamais vista, pois engloba material de vírus que causam a influenza suína, humana e aviária. O vírus da gripe espanhola era um vírus aviário.

10 – A Organização Pan-Americana de Saúde informou que o vírus apresenta um potencial grande de transmissão, mas com taxa de mortalidade relativamente baixa.

11 – Infelizmente, a própria OMS iniciou as divulgações de informações sobre a epidemia atual há 15 dias chamando a gripe de “gripe suína”. A mudança para gripe A(H1N1) ocorreu na semana passada e boa parte da imprensa continua a chamá-la assim porque entende que é a população já se acostumou a este nome. No entanto, não há qualquer evidência de que o vírus, apesar de sua origem suína, tenha sido transmitido por porcos. Não há qualquer recomendação para interromper o consumo de carne de porco.