Não era bem assim

Estadão

13 Março 2009 | 14h54

Mais de uma semana depois de anunciada a excomunhão da menina grávida de gêmeos concebidos após um estupro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil retirou ontem a “punição” sobre a mãe da criança, que havia autorizado a interrupção da gravidez. Na prática, não era bem aquilo que tinha dito o arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, afirmou ontem o presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha.

O curioso é que a própria confederação reconhece que a polêmica causada pelo arcebispo foi reducionista, por retirar do foco a violência sofrida pela criança.

As posições das igrejas ainda podem ser um empecilho ao direito à infância, segurança, saúde, e tantos outros, especialmente para os mais pobres e menos esclarecidos.

Dos 60 leitores que se manifestaram até agora neste blog, apenas onze foram favoráveis às declarações do arcebispo de Olinda.

Veja o que disse a CNBB ontem:

“Para dom Geraldo Lyrio Rocha não se pode reduzir a violência ocorrida com a menina de Alagoinha à questão da excomunhão. (…) Eu fico pensando na situação da mãe desta criança e nos demais familiares. É um enorme sofrimento, uma humilhação ter uma criança sendo explorada sexualmente pelo padrasto desde os seis anos de idade. Isto é uma coisa repugnante e me causa estranheza que este aspecto tão repugnante tenha se diluído diante da história da excomunhão, que precisa, sim, ser tratada. Porém reduzir uma problemática deste porte unicamente ao episódio da história da excomunhão é esvaziar uma questão sobre a qual a consciência nacional precisa ser despertada”, disse. “Na verdade, o arcebispo não excomungou ninguém. Ele anunciou que este tipo de ato traz consigo tal possibilidade, de acordo com o que prevê o Código de Direito Canônico”.