São só dois lados da mesma viagem

Estadão

29 Setembro 2009 | 22h53

Não é raro encontrar quem invista milhares de reais em túmulos, faça questão de não faltar com nenhuma parcela do planos funerário e que se orgulhe em apontar o cemitério que escolheu para a família. Então pergunto: por que não tratar também, ainda em vida, e com quem gostamos, de um destino mais nobre para nossos órgãos, de doações para transplantes? No País, atualmente, a doação de órgãos só pode ser autorizada após aval da família, mas quem já tratou de deixar clara a decisão?

Bem, já ouvi meu pai falar do assunto. Sem que ninguém lhe perguntasse, sem esconder um certo orgulho pela declaração, disse um dia que quer ter “tudo” doado. O que “sobrar” , já explicou, quer ver destinado para as aulas de anatomia das faculdades de medicina.

Incomodou ( e penso que incomoda um pouco ainda), mas esse tipo de conversa, apresentar decisões de maneira clara e objetiva, deveria ser algo cada vez mais natural para todos nós simplesmente por uma questão de cidadania.

Nossos índices de doações efetivas por milhão de habitantes são vergonhosos, apesar da melhora nos últimos anos: 8,6 contra 35 na Espanha, mostram os últimos dados do Ministério da Saúde. Claro que há graves problemas, como ausência de equipes para abordagem das famílias com morte encefálica, abordagem incorreta, fora do prazo, poucas equipes transplantadoras para o tamanho do País. Mas o conhecimento e a decisão sobre a doação podem sim ajudar todas essas engrenagens a andar.

Informações didáticas sobre quem pode e como doar já estão no site da

Documento

iniciou nesta semana campanha sobre o tema.

E você, já refletiu sobre doar ou não seus órgãos? Eu já. “Aproveitem o que puderem!”, como disse meu pai.