Vacine-se

Estadão

08 Março 2010 | 18h38

A primeira etapa da megacampanha de vacinação contra a gripe suína começou hoje, pelos profissionais de saúde. Somente aqueles que trabalham no atendimento serão imunizados (médicos, enfermeiros, recepcionistas, motoristas de ambulância e outros que atuam na área devem ficar atentos às programações de suas unidades). Nessa fase, como destacou o Ministério da Saúde, a vacina vai ao encontro de quem precisa _também toda a população indígena acima de 6 meses será vacinada pelas autoridades de saúde.

No entanto, em duas semanas, no dia 22 de março, será a vez de todos nós começarmos a nos preocupar com a vacina. Em todas as famílias brasileiras  haverá alguém  entre os grupos alvo da vacinação. A chamada começa pelas crianças com mais de 6 meses e menores de dois anos e pelas grávidas, além de pessoas com doenças crônicas, como asma (exceto idosos). Você pode até cadastrar  seu e-mail para saber quando será sua vez ou a de algum familiar. Pode também guardar o calendário  .

Depois  virão adultos jovens de 20 a 29 anos, idosos doentes e, por fim, o grupo de 30 a 39 anos (o meu!).

Todos os grupos são os que, ao longo da epidemia, demonstraram ser os mais vulneráveis à doença.

Nos últimos dias, amigo têm me perguntado, com cara de desconfiados, se devem mesmo se vacinar. Não é novidade a desconfiança das classes favorecidas com as vacinas, fenômeno nos países desenvolvidos que também começar por aqui.

Pesquisas feitas pela Santa Casa de São Paulo a pedido do Ministério da Saúde têm mostrado que nessa faixa de renda as coberturas vacinais de todas as vacinas são piores, principalmente no Sudeste, algo atribuído em análises qualitativas à falta de preocupação dos pediatras do setor privado _pensam que doenças infecciosas só afetam os pobres.

A vacina da gripe, porém, é uma velha conhecida dos cientistas, tem milhões de doses de experiência em todos os anos e a composta com o novo vírus não demonstrou nenhum evento adverso grave. Porém, para algumas pessoas, “pegar” a doença poderá significar um terrível prognóstico, mostram os estudos científicos.

O vírus da nova gripe suína era um desconhecido dos cientistas, mas eles acabaram por tirar algumas conclusões ao longo da epidemia em curso: ele afeta mais o pulmão do que as vias aéreas superiores e  pode ser realmente perigoso para crianças pequenas, jovens e grávidas, além de pessoas que já têm outras doenças.

Além disso, a nova vacina é referendada por todas as principais entidades médicas e especialistas no assunto.

Sendo assim, deixe de lado boatos do Twitter, listas de discussão de amigos antivacinas e aquele site com sede na Holanda em que um médico obscuro prega contra os imunizantes. Caso tivesse sido ouvido, teríamos ainda hoje milhares de crianças no Brasil com deficiências causadas pelo vírus da poliomielite.

É isso. Vacine-se.