Dois boxes exclusivos de orgânicos: um no mercadão e outro na Ceagesp

Estadão

15 Junho 2011 | 21h15

Clélia Angelon, proprietária da Surya (de preto) e Amira Rachid (de camiseta amarela): oportunidade para pequenos produtores orgânicos escoarem produção. FOTO: SURYA/DIVULGAÇÃO

Vender a produção. Este é o principal gargalo de qualquer pequeno produtor de frutas e hortaliças. O que se dirá então de produtores orgânicos, que atuam num nicho de mercado e, em um universo de alfaces, pepinos, bananas, morangos e tomates convencionais, apresentam um produto quase sempre mais valorizado, dada a escala menor e as condições especiais de cultivo, sem adubos químicos e agrotóxicos.

Pois duas iniciativas, em dois sagrados “templos” de comércio de alimentos – o “mercadão” municipal, no centro da capital, e a Ceagesp, na zona oeste – estão permitindo que pequenos agricultores orgânicos escoem a produção, dentro dos mandamentos do comércio justo

Uma das iniciativas é mais voltada a hortaliças. A outra, vende de tudo, mas especializou-se em frutas. Veja, abaixo, um pouco da história das duas.

Amanhã, dia 16 de junho, às 9h, na Rua da Cantareira, 377, será inaugurado, no BOX 45, o Box Ecotree Orgânico da Surya Brasil, no Mercado Municipal Kinjo Yamato. Este mercado faz parte do complexo do Mercado Municipal da Cantareira e fica na mesma rua do prédio principal do mercadão, aquele mais antigo, com os vitrais coloridos.

A proposta do box, idealizado pela Surya Brasil (empresa do ramo de cosméticos, com vários itens orgânicos em linha), é comercializar a produção de pequenos produtores orgânicos de frutas e hortaliças vinculados à Associação Frutificar e à Aprovap, ambas no Vale do Paraíba, além da Appoi (Associação de Pequenos Produtores Orgânicos de Ibiúna).

“Tudo começou quando a Surya começou a desenvolver um projeto com 12 produtores orgânicos do Vale do Paraíba”, conta a engenheira agrônoma Amira Rachid, da Surya. Inicialmente, conforme explica, o contato com os agricultores foi para a produção orgânica e extração de óleos essenciais, que serão usados nos cosméticos. “Como era um projeto de longo prazo – a primeira colheita de ervas para produção de óleos essenciais está sendo feita agora –, tivemos a ideia de tentar melhorar a renda desses produtores de outras maneiras”, conta Amira.

Uma delas foi permitir um melhor escoamento das frutas e hortaliças que eles já produziam. “A primeira iniciativa ocorreu no fim de 2009, quando a empresa montou 190 cestas de Natal orgânicas para distribuir entre os funcionários.” Ao longo do tempo, a Surya criou condições também para que esses produtores vendessem parte da colheita orgânica para os funcionários. “Aí pudemos criar uma logística melhor de distribuição e ganhar know how”, diz Amira.

Daí para a ideia do box no Mercado Municipal foi um passo. No Box Ecotree, que será inaugurado amanhã, mais de cem itens orgânicos estarão à disposição dos consumidores. Entre eles, abacate, abóboras, hortaliças de vários tipos, tomates, amendoim, banana, manga, café, tubérculos, temperos, palmitos, pães e até cogumelos. “Acredito que o box será um estímulo para os agricultores ampliarem a produção. Além disso, o acesso a um mercado tão importante será um arranque para eles se organizarem mais e partirem, quem sabe, para outros desafios”, conclui Amira.

Quem quiser conhecer o box Ecotree, ele fica no Mercado Municipal Kinjo Yamato, Rua da Cantareira, 377, Centro, Box 45. O box venderá no atacado e no varejo. Atendimento a consumidores (varejo) de segunda-feira a sábado, das 9h às 15h. Aberto ao público a partir de 17 de junho.

Especializado em frutas

Luciana Carbone: "Objetivo é fomentar a fruticultura orgânica no País, que, ao contrário do que muitos acham, é farta". FOTO: TÂNIA RABELLO/AE

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), no bairro do Jaguaré, zona oeste, há três anos a produtora rural Luciana Aparecida Dias da Silveira Carbone, de Monte Azul Paulista, região de Bebedouro (SP), aceitou o desafio não só de comercializar, mas também de prospectar uma grande diversidade de frutas cultivadas organicamente no País.

Numa visita ontem ao Box 144 do Pavilhão HFM, Setor de Frutas, onde funciona desde 2009 a Terra Frutas Orgânicas, pelo menos 11 variedades de frutas orgânicas podiam ser encontradas, entre elas,  coco seco e coco verde, laranja, limão, banana, banana-da-terra, kiwi, tangerina poncã, maracujá, maçã, goiaba e atemoia.

“Amanhã vai chegar morango e estamos também no finzinho da safra de caqui”, diz Luciana, acrescentando também que vende até melancia e melões orgânicos, quando estão na safra. “Não é verdade que o Brasil não produz frutas orgânicas. O que ocorre é que quem comercializa orgânicos volta-se principalmente para hortaliças e legumes”, acredita Luciana.

Por isso, como faz questão de ressaltar, além de comercializar frutas, Luciana faz principalmente um trabalho de fomento da fruticultura orgânica. “Trabalhamos com mais de cem famílias de pequenos produtores orgânicos, abrigados em cooperativas e associações de vários Estados brasileiros”, orgulha-se Luciana.

Entre os principais clientes do box de Luciana, que é certificado pelo IBD, estão pessoas que trabalham com entrega de cestas em domicílio. “Mais de 60% das nossas vendas são feitas para essas pessoas”, diz a produtora e comerciante.

As vendas também são feitas, por exemplo, para o primeiro supermercado exclusivo de produtos orgânicos de São Paulo, o Quintal dos Orgânicos, cuja inauguração foi noticiada em primeira mão por este blog.

Mas as vendas no varejo, diretamente no box, também têm crescido. “Muita gente chega aqui no boca a boca”, diz Luciana. E, já neste domingo, a Terra Frutas Orgânicas marcará presença também no Varejão da Ceagesp, com barraca orgânica num dos extremos do Varejão, próximo às barracas de peixes. Para o público em geral, o atendimento no box é feito de terça a sexta-feira, das 8h às 18h e aos sábados das 8h às 12h. No domingo, no varejão da Ceagesp, das 7h às 12h. “Quem quiser parar na frente do box para abastecer o carro com as compras pode fazê-lo durante a semana a partir das 16h30”, ressalta Luciana.

Embora Luciana frise em vários momentos que o objetivo principal é divulgar as frutas (“Nós, inclusive, somos produtores de goiaba, carambola e limão orgânico”, diz Luciana), do box da Terra Frutas Orgânicas é possível sair com a feira completa. Além das frutas, a produtora-comerciante vende também hortaliças, legumes e tubérculos como brócolis, pepino, tomate, batata, cenoura, mandioquinha, batata-doce, abóbora japonesa e comum, entre outros. O telefone de Luciana para contato é (0–11) 8480-8582.