No mundo: 35 milhões de hectares com orgânicos

Estadão

18 Fevereiro 2011 | 08h00

Em palestra proferida esta semana na Biofach Nuremberg, na Alemanha, o coordenador-executivo Ming Liu, do Projeto Organics Brasil, traçou um panorama global da produção de orgânicos no mundo e em seguida no Brasil. No mundo, Ming Liu relatou que há 35 milhões de hectares cultivados com orgânicos, reunindo 1,4 milhão de produtores, sendo que a Índia tem 340 mil produtores orgânicos, Uganda 180 mil e o México 130 mil. As informações foram compiladas a partir de dados da IFOAM e, no caso do Brasil, do Censo 2006 do IBGE.

No Brasil, o terceiro maior em área cultivada com orgânicos no mundo, com 1,767 milhão de hectares (antecedido pela Austrália, com 12,02 milhões de hectares e Argentina, com 2,78 milhões de hectares), há um total de 90 mil produtores rurais orgânicos, tanto certificados quanto não-certificados. Quanto à área cultivada, o Brasil supera até mesmo os Estados Unidos, que têm 1,64 milhão de hectares cobertos com lavouras e pecuária orgânicas.

Em relação à área certificada com atividades extrativistas, o Brasil, com 6,18 milhões de hectares, pula para a segunda posição, ficando atrás da Finlândia, que dispõe de 7,4 milhões de hectares. Zâmbia, na África, vem em terceiro lugar, ccom 5,37 milhões de hectares.

Apurada a produção orgânica por continente, Ming Liu destaca que a Oceania é o que tem maior área orgânica cultivada no Planeta, com 12,1 milhões de hectares. Além disso, cada um dos 7.749 produtores dispõem, em média, de 1.561 hectares para atividades orgânicas. Em segundo lugar, o continente latino-americano, que explora 8,2 milhões de hectares de forma orgânica, distribuídos entre 260 mil produtores, dando a média de 31 hectares por produtor. Em terceiro, a Europa, com 8,1 milhões de hectares, 220 mil produtores e 37 hectares por produtor. Em quarto lugar, a Ásia, com 3,3 milhões de hectares cultivados, 400 mil produtores e 8 hectares de área por agricultor orgânico. Em quinto, a África, com 900 mi hectares, 470 mil produtores e apenas 2 hectares por produtor.

Embora a Lei dos Orgânicos, que passou a vigorar em janeiro deste ano, determine que só poderá ser comercializado produto orgânico com certificação, sendo que a certificadora tem de ser acreditada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), nos idos de 2006 (dados do Censo do IBGE), a realidade da certificação ainda estava longe de chegar aos produtores, conforme a palestra de Ming Liu. “Naquele ano, dos 90.948 produtores orgânicos brasileiros, ínfimos 5,6%, ou 5.106 produtores tinham certificação”, diz Ming Liu.  Com a Lei dos Orgânicos, porém, esta realidade forçosamente terá de mudar.

Ainda sobre a certificação, o Paraná é o Estado com maior número de produtores certificados em também com a maior diversidade de produtos orgânicos certificados (49 tipos de atividades). Em relação à área certificada, Piauí é o Estado com maior área, seguido de Minas Gerais e Mato Grosso.

 O Projeto Organics Brasil, do qual Ming Liu é coordenador-executivo, é ação conjunta da iniciativa privada com o Instituto de Promoção do Desenvolvimento e da Apex-Brasil. Atualmente, o Organics Brasil tem 72 empresas associadas, voltadas à produção de orgânicos processados para exportação. As 72 empresas faturaram, em 2010, US$ 108,2 milhões e a previsão para 2011 é de crescimento de 20%.

A Biofach Nuremberg, da qual o Brasil está participando, é a maior feira mundial do setor de orgânicos. Ela começou dia 16 e prossegue até dia 19 de fevereiro de 2011.