Vá trocar sementes na Lapa

Estadão

25 Outubro 2010 | 08h30

Crioulas: sementes de feijão de porco, guandu e milho. FOTO DE JOÃO CARLOS FARIA/AE

Olha só que evento legal vai ocorrer em plena pauliceia, no dia 4 de novembro: a 1ª Feira de Trocas de Sementes Tradicionais e Crioulas do Estado de São Paulo. O evento vai ser no Tendal da Lapa, na Rua Guaicurus, 1.100, ao lado da Estação de Trem da Lapa, das 9h às 12h. Neste dia, quem quiser participar, pode trazer suas sementes tradicionais e crioulas. Mas, afinal, o que são sementes crioulas, tradicionais ou caipiras? Como bem explica o agrônomo Valdemar Arl, especialista em agroecologia, e membro-fundador da Rede Ecovida de Agroecologia, em seu artigo “Você sabe o que é semente crioula?”, “uma grande quantidade de espécies que usamos na nossa alimentação é nativa das Américas e foram deixadas pelos indígenas (astecas, maias, incas e outros), como por exemplo:  milho, batata, mandioca, feijão, algodão tomate, pimenta, amendoim, cacau, abóbora e outros. Outras foram trazidas de outros continentes, como o trigo e o arroz, mas já por centenas de anos são conservadas e melhoradas pelas famílias agricultoras. Essas sementes que são conservadas e melhoradas pelas famílias de agricultores são chamadas de sementes crioulas”, escreve o agrônomo, que continua: “A disponibilidade e continuidade dessas sementes é virtude e missão da agricultura familiar/camponesa e não depende de nenhuma empresa ou país e, são fundamentais para a garantia de segurança e soberania alimentar dos povos. As sementes crioulas são adaptadas aos ambientes locais, portanto mais resistentes, e menos dependentes de insumos. São também a garantia da diversidade alimentar e contribuem com a biodiversidade dentro dos sistemas de produção. A biodiversidade é a base para a sustentabilidade dos ecossistemas (sistemas naturais) e também dos agroecossistemas (sistemas cultivados).”

Em uma feira de trocas que ocorreu recentemente no Vale do Paraíba, por exemplo, ressurgiram variedades como milhos palha-roxa, dente-de-cavalo, mixurum e cunha, além dos feijões preto, jalo, roxo e outros.

No Tendal da Lapa, a intenção é promover a troca destas sementes, inclusive algumas cultivadas organicamente, além de prestar informações sobre programas de apoio à produção de sementes. O evento é realização do Grupo de Trabalho de Sementes (CPOrg-SP), do Espaço da Cultura de Consumo Responsável. Qualquer pessoa que tenha sementes crioulas pode participar.

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