Antioxidantes e vitaminas podem agravar câncer de pulmão

Giuliana Reginatto

30 Janeiro 2014 | 19h45

Suplementos vitamínicos e antioxidantes, muitas vezes relacionados à prevenção de tumores por retardarem o envelhecimento celular, podem, na verdade, agravar quadros de câncer de pulmão em pessoas vulneráveis, como os fumantes. Essa é a conclusão de um polêmico estudo divulgado nesta quarta-feira, dia 29, na publicação científica Science Translational Medicine.

Estudando dois diferentes antioxidantes, a vitamina E e uma droga chamada acetilcisteína, cientistas suecos perceberam que as substâncias aceleraram a progressão do câncer de pulmão em roedores e em linhagens de células humanas.

Os autores utilizaram doses dietéticas diárias normais de vitamina E e doses relativamente baixas doses de acetilcisteína. Muito usada em suplementos, a vitamina E pode ser encontrada também nos grãos integrais, frutas secas, sementes e óleos vegetais.

Quando camundongos em estágios iniciais de câncer de pulmão receberam os antioxidantes, seus tumores tiveram crescimento acelerado e se tornaram mais invasivos. Esses animais morreram duas vezes mais rápido em comparação a cobaias nas mesmas condições, mas que não receberam os antioxidantes.

De acordo com o estudo, os antioxidantes diminuem a quantidade de uma proteína-chave, denominada p53, cuja função principal é destruir as células tumorais para que não causem danos ao DNA. Esse mecanismo sugere que as pessoas com lesões pequenas ou tumores não diagnosticados nos pulmões, o que é mais provável nos fumantes, devem evitar os suplementos de antioxidantes.

Os autores estão investigando agora se esse mecanismo se aplica a outros tipos de câncer e para pessoas que não são do grupo de risco para tumores de pulmão. “Ainda não está claro qual seria o efeito dos antioxidantes, no que se refere ao câncer de pulmão, em pessoas saudáveis”, disse Martin Bergö, um dos autores do estudo.

Populares. Outros antioxidantes populares, inclusive no Brasil, são a vitamina A e a vitamina C. A primeira é abundante em vegetais como cenoura, abóbora, melão e pêssego. E a segunda pode ser encontrada em cítricos, como laranjas e limão, além de morangos e pimentões.

Os autores declararam no artigo que não há conflito de interesses no estudo. A pesquisa foi financiada pelo Conselho de Pesquisa Europeu e por várias instituições de ensino e pesquisa da Suécia, além da Universidade de Gotemburgo, naquele mesmo país.