Câncer de mama do tipo mais comum tem ligação com cigarro, garantem cientistas

Giuliana Reginatto

10 Fevereiro 2014 | 18h17

Cientistas americanos acabam de comprovar a ligação do cigarro com o tipo mais comum de câncer de mama em mulheres jovens. Já se sabia, de estudos anteriores, que o fumo aumentava o risco geral de tumores nessa região do corpo, mas era pouco conhecida a influência do tabaco sobre cada subtipo de neoplasia mamária.

Agora, os pesquisadores descobriram que pacientes com menos de 44 anos que fumam um maço ou mais de cigarro por dia, há pelo menos dez anos, têm um risco 60% maior de desenvolver o câncer receptor de estrogênio positivo em comparação com aquelas que não são fumantes ou que fumaram menos cigarros, e por menos tempo. Esse tipo de câncer representa cerca de 80% de todos os casos de tumores de mama.

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira, dia 10, pelo periódico científico Cancer, da Sociedade Americana do Câncer, foi conduzida pela equipe do médico Christopher Li, do Centro de Pesquisa do Câncer Fred Hutchinson, em Seattle, nos Estados Unidos. Foram analisadas no estudo 778 pacientes com câncer de mama receptor de estrogênio positivo e 182 pacientes com câncer de mama triplo negativo.

As pacientes tinham de 20 a 44 anos e foram diagnosticadas com a doença entre 2004 e 2010. Elas foram comparadas com um grupo de controle livre da doença, formado por 938 mulheres.

Risco
O estudo também mostrou que as mulheres que fumavam há pelo menos 15 anos apresentam um risco 50% maior de desenvolver o câncer de mama do tipo receptor de estrogênio positivo em comparação com as que fumavam há menos tempo. Não foi encontrada, contudo, nenhuma ligação entre o cigarro e o câncer de mama do tipo triplo negativo, uma variedade menos comum e mais agressiva de tumor que o estrogênio positivo.

“Os riscos para a saúde associados ao tabagismo são numerosos e bem conhecidos. Este estudo contribui para o nosso conhecimento ao sugerir que, com relação ao câncer de mama, o tabagismo pode aumentar o risco do subtipo molecular mais comum de câncer de mama, mas não influencia o risco de um dos mais raros”, comentou, no artigo, o coordenador do estudo.

Os autores declararam que não há conflito de interesses no trabalho. A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional do Câncer e pelo Departamento de Defesa do Programa de Pesquisa do Câncer de Mama, ambos dos Estados Unidos. Um dos autores recebeu uma doação da Fundação Internacional Banyu Life Science, do Japão.