FDA proíbe bisfenol em mamadeiras – e a discussão continua para outros plásticos

Simone Iwasso

21 Julho 2012 | 13h50

Na semana passada, o FDA,  a agência americana que regula alimentos e medicamentos nos Estados Unidos, decidiu proibir o uso do bisfenol A nas mamadeiras – medida já é adotada no Canadá, em alguns países da União Europeia e também aqui no Brasil desde o ano passado – e reforçou a preocupação com o uso do produto, e não só em produtos para crianças.

A decisão vem após um longo debate sobre a segurança dessa substância química, usada desde os anos 60 na fabricação de alguns tipos de plásticos duros (alguns copos, potes, tigelas, garrafas e afins) e no revestimento de algumas latas, e está longe de encerrar a polêmica – isso porque a questão das mamadeiras parece resolvida, mas ainda paira uma boa discussão sobre todos os outros recipientes que contêm o BPA.

O problema começou a aparecer quando alguns estudos  mostraram que o bisfenol A tinha uma relação com problemas cognitivos (como hiperatividade), alguns tipos de câncer, distúrbios cardíacos e obesidade em animais de laboratório. A preocupação aumentou quando percebeu-se que, em contato com substâncias quentes (alimentos ou leite, por exemplo), as embalagens desprendiam um pouco da substância, que se misturava com a comida ou bebida – um trabalho americano identificou traços do bisfenol na urina de quase 90% dos americanos- a questão é se as quantidades que vão para o organismo são significativas para ter algum impacto negativo na saúde.

Em 2008, um dos braços dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos fez uma revisão sobre a literatura científica em torno do bisfenol e emitiu o seguinte parecer: com o que sabemos até o momento, é possível ter “alguma preocupação” com os efeitos da substância no cérebro, comportamento e glândulas de fetos, bebês e crianças.  Foi constatada “uma preocupação mínima” com os efeitos nas glândulas mamárias e nenhum outro maior problema. Mais estudos precisam ser feitos, foi basicamente a conclusão.  Com base nesse trabalho, o FDA decidiu na época manter o uso do bisfenol no mercado americano, sem maiores restrições – e foi elogiado pela indústria e bastante criticado por associações de consumidores.

O debate no entanto continua, novos estudos estão sendo feitos e os próprios fabricantes, por uma demanda dos consumidores, estão retirando o bisfenol de vários produtos  – alguns países, como Alemanha, por exigência das pessoas e consequente competitividade no mercado, isso está mais avançado.  A Agência Europeia de Saúde também caminha na mesma direção – novos estudos estão sendo feitos.

O resumo da conversa é o seguinte: há uma suspeita e vários indícios em torno do risco do bisfenol A para a saúde das crianças e adultos, mas ainda não há provas conclusivas nem consensos estabelecidos, o que deve demorar um tempo para acontecer, se acontecer. Diante disso, as próprias agências reguladoras recomendam que os consumidores tomem alguns cuidados:

* Não coloque bebidas nem alimentos muito quentes em embalagens com bisfenol A – ou seja, se quiser usar as embalagens de plástico para guardar a comida na geladeira, não use as mesmas para esquentar a comida. Já tem uma infinidade de potes, travessas e lugares para armazenar alimentos feitos de vidro (eu sempre preferi, antes dessa conversa de bisfenol, porque não deixam cheiro, não interferem no gosto da comida, duram mais e são bem mais bonitos).

* Se o recipiente de plástico está com riscos, ranhuras ou algo do tipo, jogue fora. A chance de ele liberar mais bisfenol aumenta muito, e não vale a pena o risco. Não sou eu quem está dizendo, é o FDA.

* Quem usa garrafas de plástico duro para colocar água (essas de academia, por exemplo), pode procurar as opções sem bisfenol – já existem.

* Quem se interessa pelo assunto, e quer mais informações, pode encontrar aqui, aqui e aqui.

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