O pai que largou tudo para encontrar a cura para seu filho

Simone Iwasso

12 Agosto 2012 | 15h01

Um pai descobre que o filho tem uma doença incurável e decide largar o trabalho para se dedicar, sozinho, a encontrar uma cura para ela. No meio do caminho, é abandonado pela mulher, passa por dificuldades financeiras, enfrenta o ceticismo dos médicos e a falta de respostas da medicina tradicional e, por fim, desenvolve um tratamento que, apesar de não curar, diminui a velocidade com que a doença progride. Após conhecer esses resultados excepcionais, um professor de uma renomada universidade decide estudar o tratamento encontrado por esse obstinado pai.

A história, que resume uma vida de amor e dedicação, foi contada na edição de hoje do Estadão pela repórter Fernanda Bassette – em um texto delicado e preciso – leia a reportagem completa.

Esse relato resumido aí de cima é a história da vida do engenheiro mecânico Adolfo Celso Guidi, de 54 anos, morador do Paraná. A doença em questão chama-se gangliosidose do tipo 2, doença genética rara, neurodegenerativa e sem cura – o filho, Vitor, recebeu o diagnóstico aos 10 anos e um prognóstico dos médicos: viveria por apenas mais um ano.

Vitor tem hoje 23 anos – a literatura médica diz que crianças com a gangliosidose vivem, em média, 11. E o tratamento que o pai desenvolveu, sozinho, usa uma enzima utilizada na fabricação de cremes para sorvetes na década de 1950. Para chegar a ela, falou com médicos e especialistas do mundo inteiro.

“Ninguém me dava atenção. Diziam que era loucura minha.”

Quando finalmente conseguiu a substância, testou nele mesmo, para ver se havia efeitos colaterais. E, diante da falta de sintomas adversos, começou a administrar doses da enzima ao filho.

Agora, o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul Roberto Giugliani, surpreso com os resultados positivos, decidiu testar, cientificamente, o tratamento encontrado por esse pai – um sinal de que, às vezes, a medicina tradicional demora para enxergar possibilidades e ouvir alguém que, mesmo não sendo formado na área, pode contribuir de alguma maneira.

Se os bons resultados demonstrados em Vitor se repetirem na pesquisa, e o tratamento for comprovado de acordo com as exigências da pesquisa científica, ele poderá ser replicado então para outras crianças que sofrem com a mesma doença.

Esse vídeo, que mostra a difícil rotina e as pequenas vitórias dessa família, nos faz pensar em como a esperança é força para seguir em frente – e como é importante prosseguir, mesmo quando o médico, o especialista, nos indica um caminho de portas fechadas. Não havia tratamento, não havia esperança, ninguém tinha nada a oferecer para Vitor – mas o pai não desistiu e conseguiu, sozinho, abrir uma porta.