Pacientes com câncer que se exercitam vivem mais – mas médicos ainda não informam sobre o tema

Simone Iwasso

29 Agosto 2012 | 16h30

Vários estudos sérios e de longo prazo já mostraram que pacientes com câncer que praticam atividades físicas regulares vivem mais. O exercício ajuda no tratamento, na recuperação e reduz a chance de reincidências – em mulheres com tumores de mama, por exemplo, estudos mostraram que a atividade física ajudou a reduzir a chance de uma nova ocorrência em 50%.

No entanto, mesmo com tantas evidências benéficas, oncologistas ainda falam pouco sobre o assunto em seus consultórios e muitos ainda são relutantes na hora de mandar seus pacientes para a academia ou o parque, segundo estudo da Mayo Clinic divulgado nesta semana.

Em um dos maiores levantamentos já feitos sobre os benefícios da atividade física para pacientes com câncer, pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos analisaram dados disponíveis desde 1950, encontraram essa relação positiva entre longevidade após a doença e uma rotina de exercícios.


O que falta é entender ainda exatamente porquê isso ocorre. E também avaliar quais são as atividades mais indicadas para cada tipo de paciente, com cada tipo de tumor, de tratamento  e de estado clínico geral – cada condição exige um tipo de exercício, bem mais leve ou um pouco mais intenso, e não há uma receita única para cada um.

Justamente por isso é tão importante a orientação médica, que nem sempre, segundo o estudo da Mayo Clinic, é feita com atenção.  Os pesquisadores, até agora, descobriram que, em geral, os pacientes são aconselhados sobre remédios, alguns efeitos colaterais e quase nada sobre estilo de vida, incluindo o exercício.

Uma abordagem que, para eles, poderia ser mais ampla e mais didática, num aconselhamento que ouvisse os pacientes e entendesse a sua rotina, para sugerir melhorias.

“Como médicos, costumamos dizer aos pacientes que praticar atividade física é importante. Mas não vamos além e não sabemos o quanto os pacientes são informados a respeito”, afirma Andrea Chevill, do departamento de Medicina e Reabilitação da clínica. Andrew afirma que quando os oncologistas fazem a recomendação, os pacientes em geral levam a indicação mais seriamente, e realmente se engajam em alguma atividade física.

Como não custa relembrar, exercícios melhoram a mobilidade do paciente, fortalecem sua musculatura (importante para quem faz quimioterapia, por exemplo), ajuda na sensação de bem-estar (pela liberação de neurotransmissores), ajuda a combater a sensação de fadiga comum a pacientes oncológicos e melhora a qualidade do sono.

Por isso, reproduzo aqui algumas orientações do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos:

– Questionar o médico sobre a prática de exercícios

– Começar num ritmo lento e intensidades leves

– Reconheça as limitações do momento, e faça adaptações de acordo com orientação profissional

– Quem enfrenta problemas de equilíbrio ou tonturas, deve preferir atividades na piscina

– Quem está com sistema imunológico enfraquecido, mais suscetível a infecções, deve tomar cuidado com academias e aparelhos de uso comum

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