Vladimir Konstantinov/Reuters
Vladimir Konstantinov/Reuters

Conheça 10 mitos e verdades sobre a aids

Beijo transmite HIV? E durante o sexo oral? No Dia Mundial de Luta contra a doença, o 'Estado' traz perguntas e respostas frequentes

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2015 | 08h28

SÃO PAULO - O beijo transmite o vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês)? Mulheres soropositivas podem engravidar? É possível contrair vírus no sexo oral? No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, comemorado nesta terça-feira, 1º, o Estado entrevistou dois especialistas para revelar 10 mitos e verdades sobre o vírus HIV. 

Leia abaixo as respostas do médico infectologista do Hospital Emílio Ribas, Jean Gorinchteyn, e também do professor de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), Gustavo de Araújo Pinto, que também é membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

1. O vírus HIV pode ser transmitido por beijo, abraço ou aperto de mão?

Mito. O vírus HIV é transmitido através do contato sexual e do sangue. Beijo, abraço e apertos de mão não transmitem o vírus. "Não é uma via de transmissão o compartilhamento de objetos não perfurantes, como os talheres, por exemplo, e o uso do vaso sanitário e do banheiro", explica o professor Gustavo de Araújo Pinto. Outra forma de transmissão é da mãe, quando soropositiva, para o bebê, o que pode ser evitado com pré-natal acompanhado de infectologia e uso de medicação.

2. É possível contrair o vírus HIV no sexo oral?

Verdade. Embora as chances sejam pequenas, especialistas recomendam o uso do preservativo durante o sexo oral. Segundo o médico infectologista Jean Gorinchteyn, quanto maior a carga viral no sangue, maior será também a carga na secreção e nos fluidos durante a relação sexual. "Sugere-se que o sexo oral também é sexo e, portanto, merece proteção", disse Gorinchteyn. "A recomendação formal é que deveria ser feito o uso do preservativo. Na prática, sabemos que é difícil a adesão", reconhece Pinto. 

3. Todo portador do HIV tem aids?

Mito. O professor da Unisul Gustavo Pinto explica que o portador do vírus HIV pode levar muito tempo sem qualquer sintoma. "A manifestação do vírus vai acontecer normalmente alguns anos após a infecção. O indivíduo que tem HIV e não sente nada é apenas o portador do vírus, que é assintomático. Quando o indivíduo desenvolve o sintoma, aí que recebe o nome de aids", destaca o especialista. Segundo ele, com o avanço do tratamento e das campanhas, a tendência é de que os portadores do vírus não desenvolvam mais a aids, mantendo-se, portanto, assintomáticos. 

4. É possível fazer no Brasil prevenção medicamentosa para evitar a contaminação do HIV?

Mito. No Brasil, ainda está em teste a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao vírus do HIV, ou seja, uma estratégia de prevenção que envolve a utilização de um medicamento antirretroviral (ARV) - o Truvada - por pessoas não infectadas com o objetivo de reduzir o risco de contaminação. Por enquanto, explica Gorinchteyn, as estratégias para evitar a contaminação ainda são o uso do preservativo e, no caso do soropositivo, a utilização dos medicamentos. 

5. O diagnóstico é feito somente por exame de sangue?

Verdade. No entanto, no último dia 20 de novembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou regras para o autoteste, que é a análise da presença do HIV por meio do teste da saliva, que poderá ser vendido nas farmácias. "Nos Estados Unidos, já é disponível. Seria semelhante ao teste de gravidez, mas no caso do HIV utiliza a saliva. O teste tem acurácia e performance muito boas", afirma Pinto. O professor alerta, no entanto, que os usuários não devem descuidar do uso do preservativo nos casos em que o autoteste dão negativo. "O resultado do exame não pode dar a falsa sensação de segurança", diz.

6. É impossível contrair vírus HIV em estúdios de tatuagem, manicures e consultórios de dentista?

Mito. O médico infectologista Jean Gorinchteyn orienta que as pessoas devem escolher lugares não apenas pela limpeza, mas que utilizem instrumentos, como agulhas e seringas, descartáveis. "Todos os instrumentos devem ser esterilizados através de aparelhos específicos, como os autoclaves, para que garantam não só que o vírus HIV seja destruído, mas os de hepatite B e C também", explica Gorinchteyn.

7. Portadores de HIV, mesmo fazendo tratamento correto, morrem mais cedo do que pessoas que não estão infectadas?

Mito. Quanto mais cedo é detectada a presença do vírus HIV, maiores são as chances de que o indivíduo viva normalmente. Segundo o membro da Sociedade Brasileira de Infectologia Gustavo Pinto, a expectativa de vida das pessoas com HIV que fazem tratamento corretamente e que estão com sucesso terapêutico é igual à da população geral que não tem HIV. Pinto afirma que estudos mais recentes na Inglaterra apontam que mulheres com HIV e sucesso terapêutico, ou seja, que tomam o remédio corretamente, têm expectativa de vida até superior às mulheres sem HIV. "É surpreendente o dado, mas é compreensível porque o portador do vírus muda a rotina da sua vida, leva uma vida mais saudável e, portanto, vive mais."

8. O tratamento de HIV causa muitos efeitos adversos?

Mito. No passado, explica Gustavo Pinto, quando era limitado o número de fármacos, os efeitos adversos eram bastante intensos. Hoje, porém, os remédios têm alta eficácia e são seguros. "As pessoas ainda encaram o tratamento do HIV como muito ruim porque acham que a pessoa passa mal e tem que abandonar. Hoje, são poucos os efeitos adversos e poucas pessoas precisam trocar de remédio." Segundo Pinto, atualmente há tratamentos com medicamentos "fáceis de tomar". "Nosso tratamento tradicional envolve um comprimido por dia. Antes eram vários."

9. Mulheres soropositivas podem engravidar sem que o vírus HIV seja transmitido?

Verdade. Existem hoje unidades específicas de atendimento à gestante soropositiva. Normalmente, explica Gorintcheyn, o método utilizado tanto para mulheres, quanto para homens com HIV, é a inseminação artificial. O período pré-natal deve ser acompanhado por um infectologista, além do ginecologista. "A mãe é acompanhada com a utilização do AZT, medicações antirretrovirais, para garantir a não passagem do HIV da mãe para o bebê", afirma o médico infectologista. A criança também é acompanhada na sala de parto para receber medicação e deve ser acompanhada pelos 18 meses seguintes a fim de realizar testes específicos. O aleitamento é proibido.

10. É preciso haver penetração para a transmissão do HIV?

Mito. Embora a principal via de transmissão ainda seja a sexual, ou seja, através da penetração, a liberação de fluidos e secreções que ocorre ainda nas preliminares também pode transmitir o vírus. "Tem que fazer uso do preservativo obrigatoriamente, em todos os momentos da relação sexual, e tomar a medicação também, o que impede a transmissão caso haja ruptura do preservativo", orienta Gorintcheyn.

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