10 morrem na República Democrática do Congo com sintomas do Ebola

Vítimas tiveram febre, diarreia, sangramento nos ouvidos e nas narinas; primeiro caso da doença na história aconteceu no país, em 1976, na época chamado de Zaire 

Reuters

20 Agosto 2014 | 13h15

KINSHASA - O governo da República Democrática do Congo enviou o ministro da saúde e uma equipe de especialistas para a remota província de Équateur, no norte do país, depois de cerca de 10 pessoas terem morrido na região com sintomas similares aos causados pelo vírus Ebola. A epidemia da doença já deixou mais de 1,2 mil mortos em Serra Leoa, Libéria, Guiné e Nigéria; a República Democrática do Congo não faz fronteira com nenhum desses países.

"Uma doença está se espalhando em Boende (cidade ao norte da capital Kinshasa), mas não sabemos a sua origem", disse Michel Wangi, porta-voz do gabinete do governo, segundo agência Reuters.

"O governo enviou uma equipe de especialistas do INRB (Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, na sigla em inglês) nesta manhã liderados pelo ministro Felix Kabange Numbi e pelo governador Sebastian Impeto", acrescentou Wangi.

Um professor que acompanha a delegação no avião presidencial confirmou que eles estão indo descobrir a "exata natureza da doença que causou mortes em Boende".

Um morador de Équateur que pediu para não ser identificado disse que cerca de dez pessoas morreram, incluindo quatro funcionário do sistema de saúde, após terem febre, diarreia e sangramentos nos ouvidos e narinas - todos são sintomas do vírus Ebola.

Altamente contagioso, o vírus pode matar 90% das vítimas infectadas. Não há vacina conhecida e há apenas algumas poucas formas de tratamento que estão em fase experimental. A República Democrática do Congo já passou por diversas epidemias desde que o primeiro caso de Ebola foi detectado no país, em 1976 - na época, o país se chamava Zaire.

Protestos. A polícia da capital da Libéria, Monróvia, utilizou gás lacrimogêneo para dispersar uma multidão que tentava deixar as redondezas de um bairro que entrou em quarentena por causa do vírus Ebola. As autoridades do país impuseram um toque de recolher a nível nacional e puseram a vizinhança do bairro de West Point sob quarentena.

O confronto começou depois que forças de segurança bloquearam vias de acesso ao local com mesas, cadeiras e arames. Os moradores disseram não ter sido avisados sobre o bloqueio, que os impediu de ir trabalhar e comprar alimentos.

"Vimos o bloqueio nesta manhã. Saímos e não podíamos ir a parte alguma. Não escutamos nada de nenhuma autoridade sobre o que aconteceu", disse Alpha Barry, um homem de 45 anos que trabalha em uma casa de câmbio. "Não temos comida e temos medo", acrescentou Barry.

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