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12 Estados decidem manter restrição de vacina da gripe para grupos prioritários

Ministério da Saúde havia anunciado a liberação da imunização para toda a população, mas a medida acabou irritando secretarias como a de São Paulo e Paraná, que manterão restrição

Lígia Formenti, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2017 | 20h35
Atualizado 05 Junho 2017 | 22h54

BRASÍLIA - São Paulo, Paraná e pelo menos mais dez Estados vão manter os grupos prioritários para vacinação contra gripe até a próxima sexta-feira, desconsiderando, assim, a recomendação feita pelo Ministério da Saúde de imunizar todos os que procurassem os  serviços de saúde. Semana passada, a pasta recomendou que a vacina fosse liberada a partir dessa segunda para a população em geral, por causa da baixa cobertura da campanha observada até aquela data. 

A medida, além de provocar críticas de especialistas, irritou representantes das secretarias estaduais e municipais de saúde, que se sentiram desrespeitados. “Fomos surpreendidos com o anúncio. Uma decisão dessa dimensão deveria ser tomada por consenso entre municípios, Estados e União e isso não foi feito”, afirmou o presidente do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Michele Caputo Neto. Manterão a restrição os seguintes Estados: Alagoas, São Paulo, Ceará, Mato Grosso, Piauí, Pernambuco, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Amazonas e Tocantins.

Pela praxe, medidas dessa proporção são definidas em reuniões com representantes das três esferas de governo. O problema, completa, não está apenas no desrespeito às formalidades. “A estratégia é precipitada. É como se fosse um banquete para mil pessoas com comida para 100”, comparou. Ele observa que, embora os estoques da vacina ainda estivessem altos, era preciso, no mínimo, aguardar até esta sexta, quando acabaria a prorrogação da campanha da vacina, para que qualquer outra medida fosse adotada. 

“Agora, do jeito que está, uma pessoa saudável concorre para tomar a vacina com uma pessoa que é, de fato, mais suscetível a complicações provocadas pela gripe.” Justamente por isso, 11 Estados informaram ao Conass que vão manter a estratégia inicial, que é garantir a vacina para grupos prioritários: idosos, crianças de até cinco anos, professores, grávidas, mulheres que acabaram de dar a luz, por exemplo. “Esses grupos não foram escolhidos à toa. Estão ali por uma razão.”

Caputo Neto afirma que caso até  sexta a cobertura vacinal não tenha chegado aos índices considerados adequados, o Paraná fará uma extensão para determinados grupos, mas não para população em geral. “Vamos estender a idade das crianças, reduzir o limite de idosos.”

O presidente do Conass cita outro motivo para afirmar que a medida do Ministério da Saúde é precipitada. Este ano a meta para vacinação foi estendida para 90% da população alvo. “Isso, por si só, já poderia representar uma dificuldade em atingir a marca.”

Para o pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz Cláudio Maierovitch, a baixa cobertura vacinal é reflexo de falhas do próprio sistema de saúde em alcançar a população de maior risco. “Não é possível providenciar a vacina de gripe para toda população, sobretudo por causa dos custos. O sistema de saúde tem de investir toda sua energia para alcançar as populações mais vulneráveis.” A simples abertura da vacinação para todos, para acabar com estoques do imunizante, disse, não resolve o problema. “Você não terá vacina na prateleira. Mesmo assim, ainda haverá pessoas que são mais vulneráveis que não foram vacinadas e que, por isso, correm o risco de ter complicações graves, e até morrer, por causa da gripe.”

O ideal, disse Maierovitch, seria, uma vez identificada a baixa adesão, reforçar as estratégias para buscar as pessoas que integram os grupos considerados prioritários. “Somente depois de isso realizado é que se poderia pensar em alternativas.”

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