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2015 teve 200 mil casos de dengue a mais que ano recorde anterior

Mortes pela doença também superaram o ano de 2013, que havia sido o pior até então: no ano passado, foram 863 óbitos

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Lígia Formenti,
O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2016 | 19h31

BRASÍLIA - O ano de 2015 registrou quase 200 mil casos a mais e 189 mais mortes por dengue que 2013, recorde anterior. Ao todo, foram 1.649.008 notificações, com 863 mortes - em 2013, haviam sido 1.452.489 registros e 674 óbitos. Em outubro, o Estado publicou que, com 1,4 milhão de casos e 693 mortes, 2015 já tinha ultrapassado os dados de todos os anos desde 1990, quando as estatísticas começaram a ser monitoradas.

A taxa de óbitos é 82,5%  e a de infecções, quase o triplo do que havia sido registrado em 2014. O pico de casos o foi registrado em abril. Nos últimos meses, no entanto, os registros voltaram a ganhar ritmo. A incidência aumentou em todas as regiões entre outubro e dezembro, colocando em alerta autoridades sanitárias.

Para o coordenador do Programa Nacional do Controle da Dengue, Giovanini Coelho, esse aumento deixa clara a  necessidade de se combater o vetor da doença, o Aedes aegypti. "A tendência de aumento começa a se dar nesta época do ano. O importante é trabalharmos agora para tentar reduzir esse ritmo", observou.

Coelho atribuiu o número recorde de mortes provocadas pela dengue a dois fatores: a doença ter ocorrido sobretudo no Estado de São Paulo, provocando, em um primeiro momento, uma sobrecarga no atendimento dos serviços de saúde. Associado a isso, está o fato de a doença ter atingindo todas as faixas etárias, incluindo pessoas com mais de 60 anos. "Esse grupo é mais suscetível. Muitos pacientes já apresentam outras doenças, como diabetes e hipertensão. A dengue pode ajudar a descompensar problemas já existentes."

Há ainda uma outra hipótese, que, de acordo com Coelho, exige uma investigação mais aprofundada. Ele recorda que, em 2010, ano em que houve também um expressivo número de óbitos, o sorotipo de vírus de dengue com maior circulação era o 1. Ano passado, esse subtipo também foi predominante. "Há uma possibilidade de que esse subtipo acarrete um comprometimento mais sério em pessoas de faixas etárias mais elevadas", completou.

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