Felipe Dana/AP Photo
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Ao menos 1.496 cidades estão em alerta ou risco para doenças do ‘Aedes’

Criadouros do mosquito acima do aceitável foram achados em 1/3 dos municípios que fizeram análise do Ministério da Saúde

Fabiana Cambricoli, Lígia Formenti, Paula Felix, O Estado de S. Paulo, e Monica Bernardes, especial para o Estado

28 Novembro 2017 | 16h16
Atualizado 28 Novembro 2017 | 23h41

BRASÍLIA, RECIFE E SÃO PAULO - Doenças transmitidas por um mosquito marcaram, para sempre, a vida da família da professora Gisela Duarte, de 34 anos. Moradora do Recife, no fim de 2015 ela viu a mãe, Dulcimar, de 72, morrer vítima de dengue hemorrágica. Sete meses depois, o sobrinho recém-nascido, Gustavo, foi diagnosticado com microcefalia por zika. Casada há pouco mais de um ano, Gisela decidiu adiar qualquer plano de gravidez. “Vivemos um verdadeiro pesadelo provocado pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.”

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Levantamento do Ministério da Saúde indica que 1.496 cidades brasileiras ainda estão em situação de alerta ou de risco para surto de dengue, zika e chikungunya - doenças causadas pelo mosquito - neste verão. Isso representa 38% do total de cidades que fizeram a avaliação, batizada de Levantamento Rápido de Índices de Infestação pelo Aedes aegypti (LIRAa). 

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Esse grupo apresentou altos índices de criadouros do mosquito, vetor das três doenças. E os números podem ainda aumentar, porque há cidades que não repassaram dados. 

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É considerada área de alerta para as doenças aquela em que o índice de infestação do mosquito varia entre 1% e 3,9% dos domicílios visitados. São classificados como de risco os municípios que apresentam ao menos 4% de índice de infestação. 

Em situação satisfatória estão os que têm índice menor de 1%. Neste ano, estão em alerta, entre as capitais, Maceió, Manaus, Salvador, Vitória, Recife, Natal, Porto Velho, Aracaju e São Luís. Já as cidades de Belém, Boa Vista, Porto Alegre, Florianópolis, Campo Grande, Cuiabá, Brasília e Rio Branco não informaram os dados ao governo federal. Também não há dados de São Paulo, embora o Estado tenha informado já ter remetido as informações.

Técnicos do ministério dizem não ser possível fazer comparação com 2016. No ano passado, fizeram o LIRAa 2.282 cidades. Desta vez, foram 3.946 (aumento de 73%). Anteriormente, o levantamento era feito por adesão. Agora, todos os municípios são obrigados a apresentar os dados, sob pena de ter suspenso o repasse de recursos federais. Os municípios que ainda não enviaram têm até o dia 14 para fazer isso.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, afirmou que locais em situação de risco deverão receber uma atenção prioritária. “Mas não há força pública capaz de eliminar todos os focos. A queda de casos depende também da ação de cada um”, disse.

O ministro afirmou não haver, no momento, uma doença transmitida pelo Aedes aegypti que desperte maior preocupação. “Nossa meta é reduzir o mosquito”, afirmou. Para o ministério, uma das áreas que mais preocupam é o Centro-Oeste. Na avaliação da pasta, há ali número significativo de pessoas suscetíveis às três doenças provocadas pelo mosquito.

Barros observou também que a redução de casos não depende apenas de ações governamentais. O armazenamento de água em barris, por exemplo, foi o principal tipo de criadouro achado no Nordeste e no Centro-Oeste. No Norte e no Sul, o maior número de criadouros foi no lixo, incluindo recipientes plásticos e garrafas PET. No Sudeste, predominam depósitos móveis, como vasos e frascos com água e pratos.

Balanço

Até 11 de novembro, foram notificados 239.076 casos prováveis de dengue em todo o País, uma redução de 83,7% em relação ao mesmo período de 2016. Na mesma data, haviam sido registrados 184.458 casos prováveis de febre chikungunya, também uma redução de 32,1%. Por fim, de zika são 16.870 casos prováveis, redução de 92,1% em relação a 2016 (com 214.126).

Para especialistas na área de Infectologia, com a queda do número de casos, população e autoridades sanitárias relaxaram nas ações de contenção. “As pessoas e até alguns gestores públicos são, infelizmente, reativos. Eles só reagem ao que ouvem falar mais e, neste ano, pouco se falou sobre essas doenças, o que é um erro”, avalia Celso Granato, professor de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, o governo não deu atenção, nos últimos anos a outras políticas necessárias para enfrentar as doenças. “Não adianta só campanha. Enquanto não enfrentarmos as questões de urbanização e saneamento básico, o mosquito vai continuar se proliferando. O LIRAa está aí para mostrar que o trabalho feito foi insuficiente.” 

 

Lista vermelha de SP tem Ribeirão, Guarujá e Peruíbe

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou que os dados de infestação até o mês de outubro apontam que só há 6 cidades paulistas em situação de risco: Ribeirão Preto, Araçatuba, Guarujá, Jandira, Peruíbe e Jaboticabal. Outras 98 cidades de São Paulo estão em quadro de alerta. No total, foram 604 municípios analisados - dos 645 paulistas.

“Portanto, o Estado encontra-se em situação satisfatória, de modo geral”, acrescentou em nota oficial. Entre 4 e 8 de dezembro, o Estado terá semana de combate às arboviroses. 

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