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40% dos bebês com microcefalia têm lesão ocular, indica mutirão

- Atualizado: 11 Janeiro 2016 | 22h 47

Fundação Altino Ventura busca amenizar situação; revista britânica publica 1º relato científico desses casos no mundo

Em novembro, o Ministério da Saúde declarou emergência sanitária nacional, por causa de um surto em Pernambuco de nascimento de bebês com microcefalia
Em novembro, o Ministério da Saúde declarou emergência sanitária nacional, por causa de um surto em Pernambuco de nascimento de bebês com microcefalia

RECIFE - Um mutirão feito pela Fundação Altino Ventura iniciou, nesta segunda-feira, 11, o atendimento a 50 bebês portadores de microcefalia. O foco da ação é investigar o comprometimento na visão dos pacientes. “No mês de dezembro, fizemos o primeiro atendimento a um grupo de 40 bebês e percebemos que pelo menos 40% deles apresentaram algum tipo de alteração na visão, especialmente na retina. Por isso decidimos aprofundar o atendimento com novos exames e testes mais específicos”, explicou a médica oftalmologista Camila Ventura, da FAV. 

O atendimento é feito de forma gratuita. A expectativa dos especialistas é de que a partir da elaboração de diagnósticos os pacientes possam ter um acompanhamento personalizado. Desde dezembro, foram atendidos 79 bebês com suspeita de microcefalia. Os exames de 55 foram concluídos. A má-formação de 40 desses bebês está relacionada ao zika vírus e, destes, cerca de 40% apresentaram problemas na visão. A FAV deve manter o atendimento permanente a cerca de 100 crianças. 

“Ao que tudo indica, de fato a infecção pelo zika vírus parece afetar a visão de uma grande parcela das crianças com microcefalia. Mas sabemos também que há situações em que podemos minimizar os efeitos desses problemas”, destacou a oftalmologista Liana Ventura. 

Entre as complicações mais observadas pelos especialistas entre as crianças examinadas estão o estrabismo neurológico, a atrofia da retina e a alteração pigmentar (manchas na retina). Além dos exames de visão, os bebês estão passando pelo teste da orelhinha, para saber se a audição foi comprometida pela microcefalia.

A dona de casa Fátima da Silva, de 32 anos, foi uma das mães que levaram o filho com microcefalia para atendimento na FAV. O pequeno Lucas, de 2 meses, foi examinado por três especialistas. “Eu dei graças a Deus quando consegui uma vaga para meu filho neste serviço porque sei que ele vai ser bem cuidado. Não é fácil conseguir entender direito quais os problemas de saúde que ele tem. Por isso quero que tenha o melhor atendimento possível”, destacou. 

Revista. A hipótese de que o zika vírus esteja relacionado também com a ocorrência de lesões oculares em recém-nascidos foi relatada pela primeira vez na literatura científica internacional na quinta-feira, em artigo publicado na revista britânica The Lancet, uma das mais importantes do mundo. O texto, assinado por pesquisadores da Fundação Altino Ventura, de Pernambuco, e da Universidade Federal de São Paulo, relata os casos de três bebês nascidos com microcefalia e alterações oftalmológicas severas. / COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI

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