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Vanderlei Almeida/AFP

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A seis meses da Olimpíada, Rio tenta tranquilizar sobre zika

Comitê organizador dos Jogos convocou imprensa brasileira e internacional para reforçar que está combatendo o 'Aedes'

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Marcio Dolzan,
O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 13h30

RIO - Menos de um dia após a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarar a microcefalia e as desordens neurológicas em áreas com a presença do zika vírus como emergência internacional, o Comitê Rio-2016 reuniu a imprensa brasileira e internacional em uma tentativa de tranquilizar turistas e atletas estrangeiros que pretendem vir para os Jogos Olímpicos do Rio.

Com a presença de especialistas em saúde pública, a entidade reforçou que vem tomando medidas preventivas, ressaltou a diminuição do número de mosquitos nos meses em que ocorrem os Jogos e reforçou orientações que vêm sendo dadas a comitês olímpicos nacionais de todo o mundo.

A entrevista coletiva desta terça-feira, 2, foi uma das mais concorridas já realizadas pelo comitê e contou com grande presença de repórteres estrangeiros. Apesar de a pauta abordar diversos assuntos relativos à Olimpíada, foi o surto do zika e da microcefalia que dominou as discussões.

"A gente vai seguir as orientações da OMS para essa e qualquer outra orientação aos assuntos relativos ao vírus", afirmou João Grangeiro, diretor de Serviços Médicos do Rio-2016. "Algumas medidas preventivas vêm sendo recomendadas aos comitês olímpicos nacionais pelo Comitê Olímpico Internacional (COI)."

Granjeiro declarou que o Rio-2016 e os órgãos públicos estão agindo para combater os focos de Aedes aegypti. "O mais importante são as ações preventivas que o Comitê Rio-2016 já vem tomando junto com as autoridades públicas de saúde na inspeção de prováveis criadouros de mosquito e a erradicação deles."

O diretor ainda falou sobre a época em que acontecem os Jogos (a Olimpíada começa em agosto, e a Paralimpíada no mês seguinte). "A nossa expectativa é de que em julho e agosto a infestação de mosquitos caia drasticamente e, com isso, o número de zika também vai acompanhar."

A área onde está localizado o Parque Olímpico e a Vila dos Atletas, na zona oeste do Rio, fica numa região alagadiça, propícia à proliferação de mosquitos. Mas as autoridades asseguram que o Aedes não é visto em grande número na região.

"É uma área que tem a predominância de outro tipo de mosquito, que não o Aedes - é o Culex", disse Daniel Soranz, secretário de Saúde da prefeitura do Rio de Janeiro. "Diferente de outras áreas, de outros países, nós não temos transmissão de doenças pelo Culex aqui no Brasil. O máximo que pode gerar é um desconforto nas pessoas, mas não a transmissão de doenças", reforçou Alexandre Chieppe, subsecretário estadual de Vigilância e Saúde.

Chieppe também falou sobre a dificuldade no diagnóstico da doença. "A gente está falando de uma doença nova. A gente começou a lidar com isso em países com grande população recentemente. O problema não é a ausência de testes, o problema é a ausência de uma plataforma laboratorial no mundo todo", considerou.

Para Loranz, contudo, isso não atrapalha o combate à doença. "O protocolo clínico é claro: se trata zika pelos sinais e sintomas da doença. O tratamento, na maioria dos casos, vai se dar sem a realização de testes. É uma doença com características muito específicas de sinais e sintomas, com sintomas na sua maioria branda."

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