A dois dias do fim da vacinação contra a gripe, Rio imuniza apenas 36,6% do público alvo

A baixa procura pela vacina da gripe levou o município do Rio a instalar tendas em locais estratégicos, para tentar aumentar a cobertura

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

11 Maio 2011 | 19h05

RIO - A dois dias do fim da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, o Rio tem o segundo pior índice de imunização do País - apenas 36,6% das 2,7 milhões de pessoas esperadas se apresentaram nos postos de saúde de todo o Estado. Roraima tem a menor cobertura, com 18,46% de vacinados de um público-alvo de 103.771. No País, o índice de imunização está em 47,16%.

 

A baixa procura pela vacina da gripe levou o município do Rio a instalar tendas em locais estratégicos, para tentar aumentar a cobertura. O primeiro posto avançado começou a funcionar ontem, no Méier, zona norte. Mesmo assim, nem todos se convenceram, como a artista plástica Marlene Schrank, de 60 anos.

 

"Eu nunca tive uma gripe na vida, apenas resfriados. Meu sistema imunológico é bom. Não me sinto à vontade de tomar a vacina sem antes conversar com o meu cardiologista, porque tenho medo das interações medicamentosas. Como acabei de chegar à faixa etária de risco, acho que posso esperar mais um ano", explicou.

 

No município, 39% dos idosos, 43% das crianças até dois anos e 31% das grávidas foram vacinados. No Estado, esse índice está em 36,41%, 42,77%, 28,12%, respectivamente. Entre a população indígena, 55,63% foram imunizados no Estado.

 

A coordenadora de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde, Cristina Lemos, acredita que a baixa procura pela vacina tenha a ver com a divulgação insuficiente e a pequena mobilização do público-alvo da campanha. Além disso, o fato de não ter havido epidemia de H1N1 (gripe suína) no ano passado pode ter contribuído com a baixa imunização.

 

"O Brasil historicamente ultrapassa as metas propostas pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Acho espantoso que mais da metade do público-alvo ainda não tenha sido vacinado", afirmou a presidente da sessão fluminense da Associação Brasileira de Imunização (Sbim-RJ), Isabella Balallai.

 

Ela acredita que, no caso do Rio, o tempo quente durante o outono tenha influenciado a baixa procura. "As pessoas ainda não estão pensando em gripe. Esse medo é maior no inverno. Talvez a notícia de que a presidente Dilma tenha desenvolvido pneumonia tenha atrapalhado a campanha. Mas não o caso dela tem nada a ver com a vacina, que é inativada - o vírus é morto e fracionado em minúsculas partículas".

 

Ela ressaltou a importância da vacinação para os públicos alvos . "A vacina só é eficaz em idosos em 70%, 80% dos casos porque o sistema imunológico já está enfraquecido. É importante vacinar a criança até dois anos até como forma de proteger o idoso que convive com ela. Vacinar é um ato de responsabilidade com o coletivo", disse.

 

Em todo País, apenas 31,41% das grávidas foram vacinadas. A coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do Ministério da Saúde, Carla Domingues, explicou que isso já era esperado porque o Ministério da Saúde comprou as doses com base no cálculo de nascidos por ano - cerca de 3 milhões. Como algumas mulheres já tiveram filhos antes do período de vacinação e outras nem sequer engravidaram ainda, já se sabia que a meta de vacinar 80% das gestantes não seria cumprido.

 

Mas ressaltou que aquelas que estão grávidas devem se vacinar. "A gravidez por si só provoca a imunodepressão das mulheres. E elas têm grande risco de complicações pela gripe, inclusive a H1N1", afirmou.

 

Ela ressaltou que a campanha publicitária teve a mesma estratégia dos anos anteriores. "Só que os idosos já são mobilizados há 13 anos. Ainda vamos ter um período de adaptação para sensibilizar os outros grupos a contento".

 

Carla explicou ainda que o Ministério da Saúde mudou a forma como os Estados devem abastecer o sistema de dados sobre a vacinação, o que pode provocar atrasos na computação do público imunizado.

 

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde de Roraima informou que metade do público-alvo do Estado é formada por indígenas. E que equipes volantes estão percorrendo o interior para vacinar a população que vive nas zonas rurais. Só depois do fim da campanha as informações serão computadas.

 

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