‘A gente se olhou e sabia o que fazer’, diz mãe que decidiu doar órgãos do filho

Jovem de 23 anos sofreu acidente de carro; Valéria Melges colabora em campanhas pró-doação

Priscila Mengue, O Estado de S. Paulo

11 Março 2017 | 03h00

Três anos após decidir doar os órgãos do filho, Valéria Melges transformou a perda em ativismo. Hoje, ela colabora nas campanhas de conscientização da ABTO, gravando depoimentos, concedendo relatos e até fazendo panfletagem. “Uma vez, uma adolescente se aproximou de mim depois de uma palestra, me agradeceu e abraçou. Ela queria me agradecer por ser mãe de um doador”, relata.

Aos 23 anos, Luis Fernando, filho de Valéria, teve um traumatismo craniano após sofrer um acidente de carro e ficou 26 dias internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. “Eu tinha certeza da gravidade, mas também esperança de que o quadro fosse mudar até o último minuto. Ele estava perfeito, com o corpo perfeito, não tinha nenhuma lesão aparente, apenas o trauma craniano”, relembra a mãe.

Valéria afirma que doar os órgãos do filho foi uma decisão que ocorreu naturalmente em meio ao “momento mais difícil” de sua vida. “O meu marido é neurocirurgião, já tinha percebido o que estava acontecendo. Quando houve a morte encefálica, a gente apenas se olhou e sabia o que fazer.”

Sem receio. De acordo com ela, até por costumar doar sangue, a família já estava ciente de que essa decisão viria, se necessário. “Tem pessoas que tem receio em tocar nesse assunto com a gente. Mas, pelo contrário, a doação trouxe uma alegria, é um conforto saber que pessoas vão viver por causa do meu filho.”

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