Acordo com aéreas vai agilizar transporte de órgãos para transplantes

Iniciativa, que envolve Ministério da Saúde, companhias e FAB, tem como objetivo ampliar a oferta de voos e reduzir o tempo entre a retirada dos órgãos do doador e o transplante no receptor

Ligia Formenti, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2013 | 16h01

BRASÍLIA - Ministério da Saúde, empresas aéreas, Secretaria de Aviação Civil e Força Aérea Brasileira assinaram nessa quarta-feira, 4, um acordo para facilitar o transporte de órgãos e tecidos usados em transplantes. A iniciativa pretende ampliar a oferta de voos e, com isso, reduzir o tempo entre a retirada dos órgãos do doador e o transplante no paciente receptor.

Com a assinatura, o governo quer aumentar em 10% o número de órgãos sólidos transportados e também de hemoderivados, que passam a ser formalmente incluídos no acordo de cooperação. As empresas vão garantir vagas no avião tanto para equipes quanto para o material a ser transportado.

Em casos de voos lotados, as companhias vão sugerir que passageiros voluntariamente cedam o seu lugar para a equipe ou para o material a ser transportado. O pedido será feito durante o check-in. Para comprovar a necessidade, a equipe de solo deverá apresentar para o passageiro a solicitação do serviço de transplante.

Aviões que transportarem equipes e material terão prioridade para pouso e decolagem. Integrantes do grupo de captação e condução de órgãos, por sua vez, terão prioridade nos procedimentos de inspeção de segurança e no acesso aos portões de embarque e desembarque do aeroporto.

"O impacto para as companhias será mínimo", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Empresas Aéreas, Eduardo Sanovicz. Ele conta que o Brasil tem uma média diária de 2,7 mil voos nacionais. Em 35 a 38 desses voos diários, órgãos ou tecidos são transportados. Em boa parte das vezes, na cabine do piloto.

O Coordenador Geral do Sistema Nacional de Transplantes, Heder Murari Borba, avalia que serão raras as solicitações feitas a passageiros.

"Muitas vezes, as equipes viajam em aviões do próprio sistema. Além disso, há também os aviões da FAB, que muito nos auxiliam." Participam da iniciativa as empresas TAM, Gol, Azul e OceanAir que, juntas, são responsáveis por 99% do mercado. Com a assinatura, uma equipe do Sistema Nacional de Transplantes terá acesso a informações sobre voos e logísticas de transporte, para poder escolher o melhor roteiro a ser percorrido. Oito enfermeiros serão destacados para essa atividade, que será realizada 24 horas por dia, durante toda a semana, no Aeroporto Santos Dumont. O trabalho dessa equipe começa neste fim de semana.

De acordo com o ministério, atualmente, vários Estados, principalmente da Região Norte, dependem da logística aérea para poder realizar transplantes.

Crescimento. No primeiro semestre deste ano, o Sistema Nacional de Transplantes registrou 3.842 cirurgias para transplantes de pulmão, coração, pâncreas, rim e fígado – 3,8% a mais do que o que havia sido contabilizado no mesmo período de 2012. Transplantes de medula óssea cresceram 13% no mesmo período.

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