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Luis Robayo/AFP

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'Aedes aegypti' se transforma em inimigo público nº 1 do Paraguai

Criadouros do mosquito se espalharam por ruas e casas do país; autoridades batem de porta em porta para conscientização

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O Estado de S.Paulo

26 Janeiro 2016 | 09h32

ASSUNÇÃO - O Paraguai declarou guerra a um mosquito: o Aedes aegypti, que se transformou no inimigo público número um e eliminá-lo é a única forma de prevenir o contágio dos perigosos vírus de dengue, chikungunya e zika, que já se espalharam por vários países da América do Sul.

Segundo o governo, a alta infestação do mosquito no Paraguai, que fechou 2015 com 16.516 casos confirmados de dengue e cinco mortes por essa doença, deve-se à proliferação de criadouros nas ruas e nas casas.

O mosquito cresce em todo tipo de recipiente abandonado ou que acumule água, de pneus a potes, de vasinhos de planta a garrafas, e assim se forma o espaço perfeito para que o temido mosquito se reproduza sem parar.

Para acabar com essa praga, diariamente, e quase de porta em porta, funcionários do governo tentam conscientizar à população desses perigos, uma campanha que não é nova para os paraguaios, que sofrem a dengue desde 2009, quando se instalou de forma endêmica no país.

Assim, grupos do Serviço Nacional de Prevenção da Malária (Senepa, na sigla em espanhol) se encarregam de localizar e eliminar os criadouros de uma área residencial de Assunção, que conta com bairros com mais de 50% de índice de infestação do mosquito, segundo o Ministério da Saúde.

"A recomendação básica é dedicar dez minutos por semana para procurar criadouros potenciais em casa e eliminá-los. Esvaziar vasos com água e eliminar qualquer possível recipiente do quintal, mas também se preocupar com o lixo na rua perto de casa, em terrenos baldios ou abandonados e avisar às instituições para que saibam onde devem ir limpar", disse Edgar Sanabria, chefe do Programa Nacional de Controle Vetorial da Dengue, vinculado ao Senepa.

No entanto, o funcionário admitiu que há falta de preocupação da população e lembrou que essa falta de consciência favoreceu para que em 2013 acontecesse a maior epidemia de dengue da história do Paraguai. Ao todo, 150 mil casos e 252 mortes em um país de 6,7 milhões de habitantes.

"Sem água parada não tem mosquito, e sem mosquito não tem dengue. Essa é a equação certa", insistiu Sanabria, enquanto acompanhava funcionários do Senepa e do Ministério da Saúde pelas ruas da cidade.

Depois da autorização dos proprietários, eles entram, ajudam a limpar os quintais, dão conselhos e dicas e despejam produtos para eliminar o mosquito se for necessário. Na casa de Erwin Krone, por exemplo, não foi preciso. O aposentado afirmou se sentir orgulhoso de nunca ter tido dengue.

Sua receita consiste em fumegar um combinado natural de citronela e cedrón kapi'i, uma das ervas medicinais mais populares do Paraguai.

"Todos por aqui já tive dengue, mas nesta casa não deixamos entrar. Eu coloco esta fórmula no quintal e na casa, e os mosquitos fogem desesperados", contou, em tom bem-humorado.

Além da dengue, o Paraguai registrou 4.292 casos de chikungunya em 2015 e está em alerta, como o Brasil e outros países da região, com o vírus da zika, depois que entrou para a lista de 14 países do continente que os Estados Unidos desaconselham a viagem de mulheres grávidas. Isso ocorre por causa da possível relação do zika com o nascimento de bebês com microcefalia.

"É uma guerra e temos que estar juntos. Nosso inimigo é o mosquito", disse recentemente o ministro da Saúde do Paraguai, Antonio Barrios. /EFE

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