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'Aedes do bem' reduz em 80% quantidade de larvas em Piracicaba

Insetos geneticamente modificados carregam um gene especial que faz com que seus filhotes morram antes de chegar à idade adulta

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GUILHERME MAZIEIRO,
ESPECIAL PARA O ESTADO

19 Janeiro 2016 | 21h46

A liberação de mosquitos transgênicos reduziu em mais de 80% a quantidade de larvas de Aedes aegypti em um bairro de Piracicaba (SP), na comparação com um bairro próximo que não foi “tratado” com os insetos geneticamente modificados. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 19, pela prefeitura do município e pela empresa Oxitec, dona da tecnologia.

O experimento, que começou em abril de 2015, envolve a liberação de 800 mil mosquitos transgênicos por semana no bairro Cecap/Eldorado, com 5 mil habitantes. Os insetos geneticamente modificados, chamados pela empresa de “Aedes aegypti do bem”, não picam pessoas nem transmitem doenças, porque são todos machos. Eles carregam um gene especial que faz com que seus filhotes morram antes de chegar à idade adulta. Ou seja: ao copularem com as fêmeas selvagens na cidade, eles tornam sua prole inviável.

Segundo os dados de monitoramento da Oxitec, a quantidade de larvas de mosquitos selvagens no Cecap já é 82% menor do que em um bairro equivalente, usado como área de controle, a 1,5 quilômetro. “São áreas semelhantes. Isso indica a eficiência do mosquito em reduzir o número de descendentes”, disse o gerente do projeto, Guilherme Trivellato.

O Cecap foi escolhido para o teste porque era o mais atingido pela dengue na cidade no verão de 2014-2015. Desde julho, segundo dados da prefeitura, apenas 1 caso foi registrado no bairro, comparado a 50 na cidade. 

Para o biólogo Carlos Fernando Salgueirosa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é prematuro atribuir o menor número de casos de dengue no bairro só aos mosquitos transgênicos. A queda, segundo ele, pode estar relacionada a outros fatores, como a eliminação de criadouros e número de pessoas suscetíveis.

Fábrica. A prefeitura de Piracicaba está satisfeita e anunciou planos de levar o estudo para o centro, região de 35 mil a 60 mil habitantes. A Oxitec anunciou que vai construir uma fábrica de mosquitos transgênicos no município, 30 vezes maior do que a atual, em Campinas.

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