Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

África tem duas espécies diferentes de elefantes e não só uma, revela estudo

DNA indica que animais das savanas e das florestas ficaram separados por milhões de anos

Agência Fapesp

22 Dezembro 2010 | 16h56

SÃO PAULO - Um novo estudo realizado por pesquisadores americanos e britânicos indica que existem duas espécies de elefantes na África e não apenas uma, como se acreditava até agora.

Os pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard (EUA), da Universidade de Illinois (EUA) e da Universidade de York (Reino Unido) fizeram uma análise genética para provar que, na África, o elefante das savanas e o das florestas mantiveram-se separados por milhões de anos.

Os resultados do trabalho foram publicados na revista online PLoS Biology. Os cientistas compararam o DNA de elefantes modernos da África e da Ásia ao código genético extraído de duas espécies extintas: o mamute e o mastodonte.

De acordo com os autores, pela primeira vez foram geradas sequências para o genoma nuclear do mastodonte. Também é a primeira fez que se realizou uma avaliação conjunta do elefante asiático, dos elefantes africanos da floresta e da savana, dos mamutes e do mastodonte americano.

“Do ponto de vista experimental, enfrentamos um grande desafio ao extrair sequências de DNA de dois fósseis - de mamutes e mastodontes - e alinhá-los com o DNA de elefantes modernos sobre centenas de segmentos do genoma”, disse Nadin Rohland, do Departamento de Genética da Escola de Medicina de Harvard.

“A descoberta surpreendente é que os elefantes das florestas e das savanas da África, que alguns acreditavam ser da mesma espécie, são tão distintos entre si como os elefantes asiáticos e os mamutes”, afirmou David Reich, professor do mesmo departamento.

Os pesquisadores dispunham de DNA de um único elefante de cada espécie, mas conseguiram extrair, de cada genoma, dados suficientes para analisar milhões de anos de evolução até a época em que os elefantes divergiram pela primeira vez entre si.

“A divergência das duas espécies ocorreu mais ou menos na época da distinção entre os elefantes da Ásia e os mamutes”, compara Michi Hofreiter, especialista no estudo de DNAs ancestrais do Departamento de Biologia de York. “A ruptura entre os elefantes africanos das savanas e das florestas é quase tão antiga quanto a ruptura entre os humanos e os chimpanzés. Esse resultado nos deixou muito surpresos”, revela

A possibilidade de que se tratava de duas espécies diferentes foi levantada pela primeira vez em 2001, mas o atual estudo fornece a prova mais contundente até agora de que elas são de fato distintas.

Anteriormente, muitos naturalistas acreditavam que os elefantes africanos das savanas e das florestas fossem duas populações da mesma espécie, apesar das consideráveis diferenças de tamanho. O elefante da savana tem uma altura média, do chão até o ombro, de 3,5 metros e pesa entre 6 e 7 toneladas. O da floresta não passa de 2,5 metros e de 3 toneladas.

As análises de DNA mostraram uma ampla gama de diferenças genéticas entre as espécies. O elefante da savana e o mamute têm uma diversidade genética muito baixa, enquanto os elefantes da Ásia têm diversidade média e os elefantes da floresta têm diversidade muito alta. Os pesquisadores acreditam que essas diferenças se devem à variação dos níveis de competição reprodutiva entre os machos.

“A partir de agora, temos de tratar os elefantes da floresta e da savana, para fins de conservação, como duas unidades diferentes”, disse Alfred Roca, professor do Departamento de Ciência Animal da Universidade de Illinois.

"Desde 1950, todos os elefantes africanos têm sido conservados com uma só espécie. Agora que sabemos que os da savana e da floresta são dois animais muito diferentes, a prioridade para fins de conservação deveria ser dada ao da floresta”, completou.

O artigo em inglês de Nadin Rohland e colegas pode ser lido aqui.

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