Agência dos EUA espionou funcionários

Cinco cientistas ligados à vigilância sanitária do país (FDA) denunciaram irregularidades e tiveram seus e-mails violados por um programa espião

Washington,

16 Julho 2012 | 22h30

Uma ampla operação de vigilância da agência de vigilância sanitária dos Estados Unidos, a FDA, contra um grupo de seus próprios cientistas resultou na violação de milhares de e-mails que funcionários descontentes enviaram a parlamentares, advogados, representantes do Ministério do Trabalho, jornalistas e até mesmo para o presidente Barack Obama.

O que começou como uma investigação de um possível vazamento de informações confidenciais da FDA por cinco cientistas evoluiu rapidamente, em meados de 2010, para uma campanha muito mais ampla de responder a críticas externas sobre o processo de revisão médica da agência.

 

Com a finalidade de frear o que um memorando definiu como a “colaboração” de adversários, a operação de vigilância identificou 21 funcionários da FDA, funcionários do Congresso, pesquisadores externos da área médica e jornalistas que estariam divulgando informações negativas e “difamatórias”.

 

Representantes da FDA defenderam a operação, dizendo que o monitoramento dos computadores se limitou aos cinco cientistas suspeitos de vazar informações sigilosas sobre a segurança e o design de aparelhos médicos.

Embora admitissem que a vigilância violou as comunicações de cientistas, os representantes da FDA disseram que nunca tiveram a intenção de impedi-las, mas determinar se as informações estavam sendo dadas a pessoas consideradas inadequadas.

A agência, que utiliza um programa para monitorar os trabalhadores, capturou imagens de laptops do governo dos cinco cientistas quando eles eram usados durante o expediente ou em casa. O software seguiu o barulho das teclas, interceptou e-mails e copiou documentos.

Disputa. A operação surgiu de uma disputa que durou anos entre os cientistas e seus superiores na FDA, a respeito de procedimentos considerados errados pelos cientistas nas revisões da agência, que levaram à aprovação de aparelhos de imagem para mamografia e colonoscopia que expuseram os pacientes a níveis perigosos de radiação.

Uma revisão oficial confidencial, realizada em maio por um departamento jurídico especial, que trata das queixas dos funcionários do governo, concluiu que as reivindicações dos cientistas eram válidas e pediam uma investigação completa. Os documentos recolhidos foram publicados num site público, aparentemente por engano, por uma empresa privada que lida com documentos e trabalha para a FDA.

No ano passado, os cientistas descobriram que dezenas de seus e-mails foram interceptados pela FDA. Eles entraram com uma ação em setembro, após a demissão de quatro cientistas. Em janeiro, o jornal The Washington Post revelou a operação de monitoramento.

Representantes da FDA afirmaram que, embora tenha descrito em memorando os funcionários do Congresso e outros “atores” como colaboradores do esforço dos cientistas para atrair publicidade, as pessoas de fora da agência foram alvos de monitoramento, mas eram suspeitos de receber informações confidenciais.

Outros funcionários do governo ficaram tão preocupados que o Departamento de Gestão e Orçamento da Casa Branca enfatizou que o monitoramento interno das comunicações dos funcionários, embora seja permitido, não pode ser usado no âmbito da lei para intimidar denunciantes.

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