Agência espacial russa pode considerar deixar ISS sem tripulação

Segundo agência de notícias, caso a partida de uma nova tripulação demore muito, Roscosmos considera operar Estação Espacial Internacional sem astronautas

Reuters e Efe

29 Agosto 2011 | 11h16

 

MOSCOU - A agência espacial russa (Roscosmos) adiou nesta segunda-feira, 29, o retorno das três equipes que estão na Estação Espacial Internacional (ISS) e a partida de uma nova equipe após a queda do cargueiro espacial Progress na semana passada, informou a agência de notícias RIA.

 

A agência Interfax citou um oficial da Roscosmos dizendo que as agências espaciais podem ter que considerar deixar a ISS sem tripulação caso uma nova equipe não chegue até o final de novembro.

 

A Roscosmos também adiou a volta da Soyuz que está na ISS, e que deverá trazer à Terra os astronautas russos Andrei Borisenko e Aleksandr Samokutiayev, e o americano Ronald Garan, cuja viagem estava prevista para 8 de setembro. Os três, porém, permanecerão na estação pelo menos até 16 de setembro. Já o russo Sergei Volkov, o astronauta americano Michael Fossum e o japonês Satoshi Furukawa terão que adiar seu retorno à Terra pelo menos até o final do ano.

 

A decolagem da próxima expedição à ISS, prevista para 22 de setembro, foi adiada por várias semanas, segundo o chefe do programa de voos tripulados da Roscosmos, Alexei Krasnov. "A decolagem poderá ser realizada no final de outubro ou no início de novembro", disse Krasnov à agência Interfax.

 

A data definitiva para o lançamento da nave tripulada Soyuz será divulgada assim que terminar o trabalho da comissão de especialistas que investiga o fracasso da missão do cargueiro espacial Progress M-12M, que se chocou em 24 de agosto na Sibéria.

 

Antes de aprovar o lançamento, a agência espacial russa fará pelo menos um teste do foguete portador Soyuz-U, cuja falha causou a perda do Progress M-12M, para garantir a segurança dos astronautas das naves tripuladas, explicou Krasnov.

 

"Prevemos pelo menos um lançamento, mas pode ser que façamos um segundo para ajudar a comissão que investiga o acidente a concluir o relatório do Progress M-12M, garantindo assim a segurança do próximo lançamento", informou o analista da Roscosmos.

 

O primeiro teste de lançamento levará à ISS o cargueiro espacial Progress M-13M, enquanto o segundo foguete poderá ser lançado com seis satélites Globalstar, embora, segundo Krasnov, isto não esteja confirmado.

 

OO Progress, com cerca de três toneladas de carga, tinha como destino a Estação Espacial Internacional (ISS) e se acidentou nesta quarta-feira na república russa de Altaica, no sul da Sibéria, pouco após ser lançado da base de Baikonur (Cazaquistão). As perdas devido ao acidente foram estimadas em mais de US$ 100 milhões.

 

Após a queda, o primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, ordenou a Roscosmos, a agência espacial russa, reforçar os controles de qualidade na fabricação de aparelhos espaciais e seus componentes, especialmente antes de seu lançamento.

 

A ISS é um projeto internacional no qual participam 16 países e, após o acidente, as agências espaciais terão que reestruturar a logística do laboratório orbital, no qual atualmente vivem seis tripulantes, assim como as próximas viagens agendadas.

 

A Nasa está estudando diferentes cenários e o especialista apontou inclusive a possibilidade de reduzir as quantidades de comida dos astronautas caso tivessem dificuldade para transportar as provisões. No entanto, insistiu que isso é pouco provável depois da carga levada por Atlantis em julho.

 

Após a retirada das naves, de 30 anos de serviço, os Estados Unidos ficaram sem um veículo próprio para viajar à ISS e dependendo das naves russas, que realizam várias viagens por ano para levar oxigênio, combustível, alimentos e diversos equipamentos.

 

Enquanto isso, nos EUA começou a corrida espacial privada e 10 empresas disputam para ser a primeira a desenvolver um veículo alternativo privado. Uma delas é SpaceX, cuja cápsula Dragon, deve fazer um voo de demonstração em novembro, com uma carga de 800 quilos, segundo lembrou Suffredini. "Nosso desejo é ter um veículo de carga americano o mais rápido possível, após a retirada das naves".

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