ARI FERREIRA | ESTADAO CONTEUDO
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Altos e baixos do ‘garçom’ das ruas

Jairo Rosendo de Freitas ficou conhecido por seu trabalho de ambulante nos semáforos de São Paulo; recaiu para as drogas e foi internado por pressão da mãe e da mulher

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2017 | 17h01

De vendedor ambulante criativo à recaída no crack. Esse é o resumo dos três últimos anos de Jairo Rosendo de Freitas, de 35 anos, internado há duas semanas no Instituto Bairral, em Itapira, interior de São Paulo.

Usuário de drogas desde os 14 anos, ele vivia um período de estabilidade em 2014. Livre da dependência desde sua última internação, seis meses antes, porém desempregado, decidiu trabalhar como vendedor autônomo, mas de uma forma que chamasse a atenção dos clientes.

Usando camisa branca, calça social e gravata borboleta, Freitas vendia água e amendoim vestido de garçom em semáforos da zona sul de São Paulo. A iniciativa criativa aumentou sua renda e o levou a ser tema de uma reportagem em um grande portal de notícias.

“Estava tudo dando certo na minha vida e eu, então, decidi parar de tomar meus remédios. Só que fiquei mais descontrolado e foi só ter um problema que eu voltei a usar droga”, diz ele, referindo-se ao dia em que uma moto colidiu com o carro que havia acabado de comprar. “Na hora já fiquei nervoso, procurei meus amigos e comecei a beber e a cheirar (cocaína)”, diz.

Experiência. Na época, Freitas já tinha passado por três internações, mas as experiências anteriores não o motivavam a buscar esse tipo de tratamento novamente. “Fiquei em lugares em que não tinha um tratamento de verdade, os pacientes ficavam jogados, até não era seguro, porque tinha alguns que ameaçavam os outros”, diz ele.

Mesmo com o receio de ser encaminhado para uma unidade onde não se adaptasse, Freitas decidiu procurar o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod) para buscar uma nova internação. “Eles não queriam me internar, parece que só pegam quem está devastado, mas minha mãe fez uma pressão e eles me mandaram para a clínica”, diz ele, que elogia o local onde está internado hoje. “Aqui tem um projeto de recuperação, a gente não fica abandonado”, conta.

A decisão por uma nova internação foi motivada pela pressão não só da mãe, mas da mulher. “Eu já perdi o meu primeiro casamento por causa do vício, porque ninguém aguenta estar ao lado de uma pessoa com tantos altos e baixos. Não quero perder o segundo casamento e a confiança dos meus filhos”, diz ele. 

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