1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

Análise: Inseticida contra o 'Aedes' deve ser usado com cautela

Resistência do mosquito ao produto torna importante a substituição periódica dos inseticidas, alerta especialista em Saúde Pública

Francisco Chiaravalloti

'O chamado fumacê só deve ser feito de forma localizada'

'O chamado fumacê só deve ser feito de forma localizada'

O uso massivo de inseticidas no combate ao mosquito Aedes aegypti começou entre as décadas de 40 e 50, quando conseguimos erradicá-lo, mas o retorno do vetor, na década de 70, e, consequentemente, a retomada do uso do produto nesta década e nas seguintes, acarretou o aparecimento de insetos resistentes aos inseticidas. 

Essa resistência torna necessária a substituição periódica de produtos e o uso cauteloso. Quanto mais se aplica inseticida, mais resistentes os insetos se tornam aos produtos usados, por isso o chamado fumacê só deve ser feito de forma localizada, em regiões onde houve registro das doenças transmitidas pelo Aedes, para que os mosquitos adultos que estão transmitindo o vírus sejam mortos. Além disso, o inseticida é prejudicial à saúde e não pode ser usado de forma indiscriminada.

A situação mostra que a aplicação desses produtos deve sempre ser acompanhada pelo esforço da população em combater os criadouros, ainda mais agora, que a resistência dos insetos se acentua.

Precisamos ainda estar preparados para outros desafios no combate ao vetor: sua possível adaptação a temperaturas mais baixas e o aumento do calor. Em São Paulo, a presença de edifícios em grande quantidade e a diminuição de regiões arborizadas facilitam o aumento da temperatura média, o que torna o ambiente mais propício para a ação do Aedes.

FRANCISCO CHIARAVALLOTI NETO É PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE EPIDEMIOLOGIA DA FACULDADE DE SAÚDE PÚBLICA DA USP

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em SaúdeX