Análise: Paciente é quem arca com as piores consequências

'Por melhor que seja a técnica, se uma operação é feita de forma desnecessária, o resultado será ruim'

Edmond Barras, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2016 | 03h00

Vários estudos no Brasil e no exterior já mostraram que parte das cirurgias feitas todos os dias não é necessária. Entre 2011 e 2015, uma parceria entre a Bradesco Saúde e o Hospital Israelita Albert Einstein buscou avaliar a real necessidade de intervenção cirúrgica em 2,8 mil pacientes com problemas na coluna que receberam essa recomendação médica.

Todos os casos que chegavam até a operadora eram encaminhados para uma comissão médica para uma segunda opinião. Em 58% dos casos, a comissão chegou à conclusão de que a operação era desnecessária porque o problema poderia ser solucionado com tratamento clínico. Se tivessem sido realizadas, essas 2,8 mil cirurgias custariam R$ 134 milhões. Separados apenas os pacientes que realmente precisavam, a despesa foi de R$ 32 milhões, uma economia de mais de R$ 100 milhões.

Muito além da questão econômica, é o paciente quem costuma arcar com as piores consequências de uma cirurgia feita sem necessidade. Por melhor que seja a técnica, se uma operação é feita de forma desnecessária, o resultado será ruim. O paciente fica sujeito à piora do quadro clínico, maiores dores, incapacidade, além de infecções e riscos inerentes a qualquer procedimento cirúrgico. Acredito que as federações que congregam as operadoras de planos de saúde, os hospitais privados e as sociedades médicas deveriam se unir para estabelecer diretrizes sérias de conduta pensando sempre no melhor para os seus clientes e pacientes.

EDMOND BARRAS É CIRURGIÃO DE COLUNA DO HOSPITAL BENEFICÊNCIA PORTUGUESA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.