USDA/Divulgação
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Análise: Urbanização rápida deu condições para avanço do ‘Aedes’

'Megalópoles são desprovidas de condições de saneamento; são cidades impermeabilizadas, sem política de captação da água'

Artur Timerman, O Estado de S.Paulo

03 Fevereiro 2016 | 03h00

Há 30 anos convivemos no Brasil com epidemias de dengue e, desde então, tentamos combater, sem sucesso, o seu vetor, o mosquito Aedes aegypti. Agora passamos simultaneamente por três epidemias: dengue, chikungunya e, mais recentemente, zika, transmitidas pelo mesmo Aedes aegypti, inseto extremamente bem equipado biologicamente para habitar ambiente urbano em países tropicais, requerendo o calor e a umidade característicos desses ambientes tropicais.

A falta de sucesso no combate ao mosquito se deve, em grande parte, à urbanização do País. Na década de 70, somente 20% da população era urbana; hoje acumulam-se em nossas cidades 90% da população. Esse rápido processo propiciou megalópoles desprovidas das condições mínimas de saneamento básico, como abastecimento e armazenamento de água, coleta e tratamento de esgoto. São cidades impermeabilizadas, sem política de captação das águas das chuvas.

Nesse contexto, o Aedes aegypti foi muito bem recebido em nossas cidades; a urbanização trouxe-lhe todas as condições para sua efetiva multiplicação. Mesmo após 30 anos de “convivência” com epidemias de dengue, onde de uma forma ou de outra houve inúmeras campanhas em que se enfatizaram as formas de combate ao mosquito dentro das casas, observamos como resultado ter, em 2015, a maior epidemia de dengue da história do Brasil. A luta contra o mosquito é uma política de redução de danos; ele não será erradicado. Mas não será efetivo o combate ao mosquito, a longo prazo, caso não repensemos o modelo de urbanização vigente.

ARTUR TIMERMAN É PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DENGUE E ARBOVIROSES

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