Ipe/Divulgacao - 6/6/2001
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Animal atropelado ajuda pesquisa

Pesquisadores usam onças, tatus e saguis para estudar transmissão de importantes zoonoses

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

04 Julho 2011 | 09h34

Um estudo sobre os animais silvestres que morrem atropelados nas estradas de São Paulo vem permitindo a pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de Botucatu, entender as formas de transmissão de importantes zoonoses para a saúde humana, como a doença de Chagas e a leishmaniose.

Os pesquisadores analisaram amostras de tecidos de diversas espécies encontradas atropeladas e descobriram, por exemplo, que os tatus são grandes hospedeiros de parasitas causadores de leishmaniose e doença de Chagas. Já o tatu-galinha, além de ser hospedeiro de patógenos causadores dessas duas doenças, também abriga os que provocam a paracoccidioidomicose, micose sistêmica de maior ocorrência na América Latina.

"Os locais onde esses animais vivem são comuns aos homens. No caso do tatu, muitas pessoas o usam na alimentação e, se a carne não for bem cozida, a pessoa pode se infectar", explica a pesquisadora Virgínia Bodelão Richini Pereira, do Núcleo de Pesquisa em Zoonoses da Unesp em Botucatu, que conduz o estudo.

De acordo com o médico veterinário Helio Langoni, supervisor do estudo, algumas das espécies estudadas estão na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês), o que dificulta o acesso aos exemplares vivos.

Os pesquisadores coletaram tecidos (pulmões, fígados, baços, rins e corações) de tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, onça-parda, tatu-mão-pelada, cachorro-do-mato, gato-do-mato, sagui, preá, furão, ouriço-cacheiro, cuíca, capivara, gambá e irara, entre outros.

Biodiversidade. A morte de animais silvestres por atropelamento é considerada uma das maiores causas de perda de biodiversidade da fauna, principalmente de espécies em risco de extinção. A utilização desses bichos em pesquisas traz vantagens, pois não há necessidade de anestesia e eutanásia. Além disso, o uso de silvestres em estudos está cada vez mais restrito.

Entre as rodovias paulistas com grande número de animais silvestres atropelados estão a SP-191 (Rodovia Geraldo Pereira de Barros), a SP-209 (Prof. João Hipólito Martins), a SP-251 (João Melão) e a SP-300 (Marechal Rondon).

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