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Anti-inflamatórios aumentam risco de parada cardíaca, aponta estudo

Pesquisador condena a venda dos remédios sem receita médica

Bibiana Borba, O Estado de S.Paulo

18 Março 2017 | 20h57

Dois anti-inflamatórios populares no Brasil, o ibuprofeno e o diclofenaco, foram listados por cientistas como perigosos agravantes em casos de parada cardíaca. O alerta é de uma pesquisa realizada na Dinamarca, publicada na última semana pela revista European Heart Journal. A conclusão é de que o risco de parada cardíaca aumenta 31% com o uso do ibuprofeno e 50% com o diclofenaco.

Nos casos investigados, os pacientes haviam consumido os medicamentos até 30 dias antes do problema no coração. O estudo também constatou risco decorrente do uso de outros anti-inflamatórios não-esteroides (AINEs) menos conhecidos, como naproxeno e celecoxib.

De 28.947 pessoas que sofreram paradas cardíacas fora de hospitais na Dinamarca, de 2001 a 2010, 3.376 haviam sido tratadas com medicamentos desse tipo. Assim como no Brasil, o ibuprofeno e o diclofenaco são facilmente comprados sem receita médica e estão entre os remédios mais consumidos no país europeu.

O médico e professor de cardiologia responsável pela pesquisa na Universidade de Copenhague, Gunnar Gislason, recomenda controle mais rígido para o uso de anti-inflamatórios. “Permitir que essas drogas sejam vendidas sem prescrição, e sem orientação ou restrições, leva a população a crer que são seguras”, comentou, em publicação da Sociedade Europeia de Cardiologia.

Divulgado internacionalmente, o estudo reforça trabalhos anteriores que já miravam os riscos dos anti-inflamatórios. O jornal britânico The Guardian ressalta uma pesquisa local que apontou elevação do ritmo cardíaco após o uso dos medicamentos. Na Grã-Bretanha, o diclofenaco passou a ser vendido apenas sob prescrição médica desde 2015.

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