Apesar de casos em três Estados, Brasil busca certificação de livre de sarampo

País é o 1º das Américas a requerer declaração, mesmo com dez confirmações até agora em 2010

estadão.com.br

27 Setembro 2010 | 16h16

SÃO PAULO - O Brasil é o primeiro país das Américas a entregar um relatório para certificação de eliminação do sarampo, além de apontar os avanços na interrupção da transmissão do vírus da rubéola e da Síndrome da Rubéola Congênita (SRC).

Apesar disso, este ano foram confirmados seis casos de sarampo na Paraíba, três no Rio Grande do Sul e um no Pará. As ocorrências são relacionadas a vírus importados da África do Sul e da Europa, segundo o Ministério da Saúde. Uma das doenças mais antigas do continente, o sarampo teve sua transmissão autóctone interrompida no território brasileiro em 2000, com o último caso registrado em Mato Grosso do Sul. Entre 2001 e 2009, houve 67 ocorrências, mas todas importadas de outros países.

A solicitação e entrega do documento para declaração de país livre da doença foi feita pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na 50ª Reunião do Conselho Diretor da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) em Washington, nos Estados Unidos.

"O relatório para certificação é resultado de um esforço de inúmeros profissionais de saúde e mobilização da população para superar esse desafio", disse o ministro. Por meio do Programa Nacional de Imunização e de campanhas nacionais, a cobertura vacinal vem mantendo taxas acima de 95% das faixas etárias alvo contra rubéola e sarampo. Para assegurar a sustentabilidade dessa conquista, o Brasil tem um sistema de vigilância para notificar e acompanhar essas doenças, além de identificar os casos importados de países que ainda mantêm a transmissão ativa.

Em 2008, o Brasil realizou a maior campanha de imunização contra a rubéola e SRC do mundo, alcançando 68 milhões de pessoas. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Rubéola ocorreu entre agosto e dezembro, com cobertura acima de 95% nos grupos etários prioritários. Em função desse resultado, a expectativa é de que o último caso da doença, remanescente de surtos, e de SRC seja o de dezembro de 2009. Em 2008, foram registrados 2.201 casos de rubéola. Em dezembro daquele ano, foram confirmados os últimos casos em dois Estados: São Paulo e Pernambuco.

A vacina contra o sarampo passou a ser aplicada no País em meados da década de 1960, embora sem um plano de continuidade. A doença, introduzida pelos colonizadores na descoberta das Américas, era epidêmica e responsável por elevada mortalidade de crianças, em associação com a desnutrição.

Entre 1969 e 1971, era a principal causa de morte em crianças de 1 a 4 anos na América Latina, segundo estudo conduzido pela Opas. Na década de 70, no Brasil, a letalidade era de 5% do infectados. A partir dos anos 90, a estratégia de vacinação ganhou reforço, alcançando coberturas acima de 95% na última década, com a adoção da vacina tríplice viral para crianças de 1 ano.

O diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, explica que os recentes eventos de sarampo no Brasil também estão relacionados a casos importados. "Hoje, o aumento da sensibilidade e da agilidade da vigilância epidemiológica, além do avanço tecnológico no diagnóstico laboratorial, permite detectar rapidamente esses eventos e identificar as características do vírus encontrado em cada amostra, indicando assim sua procedência", disse.

Entre 1998 e 2009, o número de registros de sarampo nas Américas diminuiu 99%, passando de 135,9 mil para 11 casos, em 2009. Em 2010, outros países das Américas, como Estados Unidos, Canadá e Argentina, também apresentaram casos relacionados à importação do vírus de outras regiões.

Hage destaca também que, para a eliminação do sarampo ser mantida no Brasil e nas Américas, é fundamental assumir um compromisso da erradicação global da doença ainda nesta década. "Em especial, devemos aproveitar esta oportunidade, utilizando as mesmas estratégias para também eliminar a rubéola e a SRC. Esta é a mensagem que levaremos na reunião com todos os países das Américas no Conselho Diretor da Opas", completa o diretor.

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