Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Saúde

Saúde » ‘As coisas podem piorar’, diz diretora da OMS sobre o vírus zika

Saúde

REUTERS/Ricardo Moraes

‘As coisas podem piorar’, diz diretora da OMS sobre o vírus zika

Nesta quarta-feira, a Colômbia relatou oficialmente o primeiro caso de microcefalia que pode estar associado ao zika

0

Clarissa Thomé e Luísa Martins,
O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2016 | 21h17

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, reafirmou nesta quarta-feira, 24, que o vírus da zika é o “culpado” pela epidemia de microcefalia “até que se prove sua inocência” e alertou para o fato de que a situação ainda deve se agravar. “As coisas podem piorar antes de melhorar. É um vírus capcioso, esperto. E devemos nos preparar para novas surpresas”, disse. Também nesta quarta, a Colômbia relatou oficialmente o primeiro caso de microcefalia que pode estar associado ao zika. 

Ao encerrar sua visita de dois dias ao País, Margaret ressaltou que as mulheres grávidas infectadas pelo vírus devem ser acompanhadas de perto para que se possa identificar se os bebês vão nascer com sequelas neurológicas. “Não se surpreendam se encontrarem microcefalia em outros Estados (além daqueles em que a condição já foi identificada).” 

A diretora da OMS informou que a instituição aguarda informações de outros países sobre possíveis registros de microcefalia. Ela ressaltou o caso da Colômbia, que tem um “sistema de saúde forte”, e vem acompanhado as grávidas. 

Aborto. Nesta quarta-feira, o Instituto Nacional de Saúde (INS) da Colômbia relatou o primeiro caso de microcefalia provavelmente associado ao vírus, em uma clínica da cidade de Popayán, no sudoeste do país. Ali, uma jovem de 18 anos fez um aborto com 28 semanas de gestação depois que os médicos comprovaram que o feto tinha “anomalia congênita incompatível com a vida” - nesses casos, a lei local permite à mulher abortar.

A mulher que fez o aborto estava sob supervisão médica por antecedente de infecção por zika e dentro do processo de atendimento foi feita a coleta da amostra de líquido amniótico, que deu positivo para a transmissão do vírus da mãe para o filho, disse em comunicado a diretora do INS, Martha Ospina. Ela afirmou ainda que em outros acompanhamentos já foi detectada a transmissão do vírus de mães para filhos, mas até agora os bebês estão saudáveis. 

No Rio, onde visitou a Fiocruz, Margaret Chan destacou que, antes do Brasil, a Micronésia e a Polinésia Francesa também identificaram casos de microcefalia, depois do surto de zika. Segundo ela, mais de 40 países notificaram a OMS sobre surtos de zika e pelo menos 113 têm a presença do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da doença e “um inimigo formidável”.

Margaret Chan defendeu que os governos deem todas “as informações e meios” para que as mulheres se protejam e possam tomar a decisão sobre ter filhos ou não. “Todo governo tem responsabilidade de passar as informações para as mulheres e suas famílias para que, em posse dessa informação, decidam se querem ou não adiar a decisão de engravidar.” Ela ainda prometeu buscar apoio mundial no combate à doença. Ela deve ir aos Estados Unidos para pedir auxílio de colaboradores.

Zika zero. Mais cedo, a diretora-geral visitou Pernambuco, Estado com o maior número de casos de microcefalia, com 209 confirmados e 1.188 em investigação, vestindo a camiseta da campanha “zika zero”. Ali, já havia dito que as evidências da associação entre o zika e a má-formação estão “mais, mais e mais fortes”, apesar de “ainda não totalmente claras”. 

Ela se reuniu com as médicas Ana e Vanessa van der Linden, do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) - pioneiras em identificar o surto de microcefalia no Recife - e assistiu a apresentações sobre a situação.

“O vírus da zika tem consequências devastadoras para as grávidas. Fico feliz em ver que estão sendo desenvolvidos novos protocolos para cuidar de bebês com anomalias neurológicas”, disse a diretora. Já a diretora-geral da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, disse no Rio que devem ser buscados protocolos internacionais.

 

Comentários