REUTERS/Christian Hartmann
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Aumenta acesso de jovens a álcool e drogas, mostra pesquisa do IBGE

Uma pequena proporção, de 0,5%, revelou ter consumido crack nos trinta dias anteriores à pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

26 Agosto 2016 | 10h00

RIO - Pesquisa do IBGE divulgada nesta sexta-feira  revela o aumento do acesso precoce a bebidas alcoólicas e a drogas ilícitas entre alunos do 9º ano. Mais da metade dos jovens (55%, ou 1,44 milhão de alunos) relataram já ter tomado ao menos uma dose de bebida alcoólica, proporção superior aos 50,3% registrados em 2012. 

Houve redução dos jovens que informaram ter consumido bebidas alcoólicas nos trinta dias anteriores à pesquisa. Em 2012, 26,1% disseram ter bebido recentemente, porcentual que caiu para 23,8% em 2015. O dado mais preocupante foi o que mostrou que, tanto em 2012 como em 2015, um em cada cinco jovens (21,8% e 21,4% respectivamente) tiveram pelo menos um episódio de embriaguez. 

"Hábitos saudáveis e não saudáveis tendem a ser mais duradouros quando adquiridos na adolescência, no que se refere a fumo e bebida alcoólica quanto à prática de esportes e boa alimentação. Por isso a Organização Mundial de Saúde recomenda pesquisas com adolescentes, para prevenção de doenças cardiovasculares, câncer e displasias", diz pesquisador do IBGE Marco Andreazzi, gerente da Pense.  

Estados da Região Sul estão entre os que registraram maior índice de consumo de álcool nos trinta dias anteriores à pesquisa:

Rio Grande do Sul - 34%

Santa Catarina - 33,8% 

Mato Grosso do Sul -  31,2% 

Paraná - 30,2%

Uma pequena proporção, de 0,5%, revelou ter consumido crack nos trinta dias anteriores à pesquisa. No universo total de alunos do 9º ano, seriam 13 mil usuários da droga, mesmo que eventuais. Para o gerente da Pense, já é um alerta para pais e professores. "O crack costuma retirar os alunos da escola, é a ponta do iceberg. Estamos entre os países com menor índice de consumo de drogas ilícitas entre os adolescentes, mas o uso nos últimos trinta dias indica hábito, ou vício. Se for usado antes dos 14 anos, é um risco a mais", diz Andreazzi. 

Revelaram ter experimentado alguma droga ilícita 9% dos alunos, ou 236,7 mil estudantes, em 2015, proporção maior que dos 7,3% de 2102. 

Houve pequena redução entre os jovens que já fumaram cigarro. A proporção dos que experimentaram pelo menos uma vez caiu de 19,6% em 2012 para 18,4% em 2015. Entre os que fumaram nos trinta dias anteriores, foi detectado pequeno aumento, de 5,1% para 5,6%. 

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