Banco Mundial financiará ‘Capes africana’

Presidente da agência de fomento brasileira embarca para o Senegal no próximo mês para planejar a montagem de 19 centros de pesquisa no continente

Clarice Cudischevitch, Especial para O Estado

24 Maio 2014 | 07h00

O presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, anunciou na tarde desta sexta-feira, 23, que o órgão vai expandir suas atividades para a África.

A "Capes africana", como Guimarães chamou o projeto durante homenagem que recebeu na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi formulada a partir de uma iniciativa do Banco Mundial. Segundo ele, o acordo foi idealizado após uma reunião realizada em julho do ano passado em Adis Abeba, na Etiópia, com representantes de agências de fomento da China, Índia, Coréia do Sul e Japão, além do próprio presidente da Capes, em que cada um apresentou o seu modelo.

Há duas semanas, dois representantes do Banco Mundial foram até Brasília para conhecer com detalhes o funcionamento e as ações da Capes. Em seguida, fizeram o convite para implantar um modelo semelhante no continente africano.

O Banco Mundial está montando 19 centros de pesquisa em dez países da África, incluindo Nigéria, Quênia e Moçambique. No dia 9 de junho, Guimarães vai embarcar para Dacar, no Senegal, acompanhado de especialistas das áreas da ciência que serão os temas de cada centro. O médico Carlos Morel, coordenador científico do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CDTS-Fiocruz), por exemplo, dará assessoria para a área de saúde.

Também participarão da viagem o presidente da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa), Maurício Lopes, pela agricultura; o secretário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) Virgílio Almeida, pela tecnologia da informação; o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) Alvaro Prata, pela engenharia, além de um representante da área de tecnologia de alimentos.

"Quando chegarmos lá é que vamos discutir como vai ser, se será um clone da Capes ou um modelo adaptado", afirmou Guimarães, descartando, no entanto, a atuação na educação básica - área que a agência passou a assumir recentemente, além do ensino superior.

"É surpreendente o sucesso da Capes fora do Brasil", comentou o presidente, ressaltando que não há, em outros países, uma agência de fomento do mesmo tipo. "Eu já havia sugerido que instituições semelhantes fossem criadas em lugares como Portugal e Espanha, mas dessa vez a iniciativa não foi nossa."

Homenagem. Jorge Guimarães foi laureado por três instituições diferentes nessa sexta-feira, por causa de sua gestão bem-sucedida da agência nos últimos dez anos, cujo orçamento passou de R$ 580 milhões em 2004 para R$ 5,3 bilhões em 2013.

Ele recebeu o título de Grão-Oficial da Ordem do Mérito José Bonifácio, a mais alta titulação da Uerj; além de uma placa de homenagem do Inmetro e a medalha Henrique Morize, da Academia Brasileira de Ciências, sendo outorgada pela primeira vez. A medalha levou o nome do primeiro presidente da instituição e um de seus co-fundadores.

Na solenidade, Guimarães falou que um dos maiores desafios na área da educação a serem enfrentados atualmente é a internacionalização das instituições de ensino brasileiras. "É difícil, porque nossas universidades são grandes, mas elas devem participar cada vez mais dessa questão."

Ainda segundo Guimarães, a Capes já consultou representantes dos cursos de nível 5, 6 e 7 para saber o que falta para que atinjam padrão internacional.

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