Bebê de 5 meses morre engasgado com leite em berçário

Escola diz que Rafael Guilhamati foi colocado no berço 40 minutos após ter tomado mamadeira; era seu 2º dia no local

Fernanda Bassette, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2012 | 02h00

O bebê Rafael Guilhamati, de 5 meses, morreu na terça-feira após se engasgar com leite no berçário do Colégio Maria José, em Santa Cecília, no centro de São Paulo. Era o segundo dia da criança na escola - que tem 6 babás para cuidar de 49 crianças.

As versões da família e da escola são conflitantes. Rafael começou a frequentar o berçário na segunda-feira, dia 10, quando a mãe, Fabiane, retornou ao trabalho após a licença-maternidade.

O primeiro dia transcorreu normalmente. Na terça, o bebê foi deixado no local às 11 horas e teria recebido a primeira mamadeira meia hora depois. "A babá deu o leite, manteve a criança ereta por 40 minutos e a colocou para dormir. Uns 20 minutos depois, ela viu que o bebê estava engasgado e chamou a enfermeira, que rapidamente iniciou os primeiros socorros", diz João Ibaixe, advogado da escola.

Segundo Ibaixe, o colégio acionou o resgate, mas, por causa da demora, levou o bebê ao hospital de táxi. "A criança chegou com vida ao pronto-socorro da Barra Funda", diz o advogado, que chamou o caso de fatalidade e atribui a responsabilidade à família.

"No contrato há uma cláusula que diz que os pais precisam acompanhar o bebê nos primeiros 15 dias. O fundamento disso é exatamente evitar problemas, mas a mãe não ficou", diz.

Questionado sobre o motivo de o colégio ter recebido o bebê mesmo sem a permanência da mãe, Ibaixe disse que a escola quis "evitar constrangimentos". "É uma posição muito desconfortável para o colégio. A mãe disse que precisava trabalhar."

Ainda segundo Ibaixe, ao ver que a criança estava engasgada, uma funcionária ligou para a mãe, que teria dito para "dar um tapinha nas costas" do bebê. "A mãe não falou que a criança tinha refluxo, um problema de saúde."

Família

Nathaly Roque, de 36 anos, tia de Rafael, contesta a versão do berçário. Diz que Rafael não tinha problema de saúde e a mãe não foi orientada a acompanhar a criança nos primeiros dias. "Se ela soubesse, teria deixado o menino na escola dias antes."

Nathaly diz ainda que foi Fabiane quem ligou para a escola para saber do filho, quando soube que ele havia sido levado para o hospital. "Quando o Nelson (pai) chegou lá, ele foi recebido pela assistente social, que o informou da morte", diz a tia.

A prefeitura informou que Rafael deu entrada no pronto-socorro às 13h55 com parada cardiorrespiratória. Os médicos tentaram manobras de ressuscitação, sem sucesso. A morte foi constatada às 14h15. Segundo Nathaly, o atestado de óbito relata que Rafael morreu por asfixia por broncoaspiração. A família espera o fim da investigação para decidir se processará o colégio. O corpo do bebê foi enterrado nesta quarta-feira.

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