Miguel Schincariol/AFP
Miguel Schincariol/AFP

'No rumo certo', Brasil deve eliminar hepatite C até 2030, diz relatório

Avaliação é de que País e outras oito nações estão preparados para atuar no combate à epidemia que mata mais de 1 milhão por ano

O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2017 | 19h21

SÃO PAULO - O Brasil e mais oito países estão "no rumo certo" para acabar com a hepatite C até 2030 - meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) -, conforme dados divulgados nesta quarta-feira, 1º, na abertura da Cúpula Mundial de Hepatites, que ocorre em São Paulo.

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De acordo com o relatório do Observatório Polaris, vinculado à CDA Foundation, responsável por acelerar o cumprimento das metas globais contra hepatites virais, Brasil, Austrália, Japão, Egito, Geórgia, Alemanha, Islândia, Holanda e Catar são as nove nações preparadas para atuar no combate à epidemia que mata mais de 1 milhão de pessoas por ano.

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"Esses novos dados mostram que a eliminação da hepatite C é possível, mas também mostram que é preciso fazer mais para apoiar os governos na luta contra as hepatites virais", afirmou, em nota, o presidente da Aliança Mundial contra a Hepatite (WHA, na sigla em inglês), Charles Gore.

O relatório destaca a ação de Brasil, Geórgia, Austrália e Egito como "países-chave" na erradicação desta inflamação viral e aguda do fígado, desde que a OMS estabeleceu a meta em 2016.

Junto com o lançamento do documento, o Ministério da Saúde anunciou um plano nacional específico para eliminar a hepatite C previsto para começar em 2018. A partir do ano que vem, os pacientes passarão a fazer testes para diagnóstico e tratamento independentemente do grau de inflamação do fígado.

De acordo com o ministro da Saúde, Ricardo Barros, a expectativa é tratar 657 mil pessoas, sendo a meta mínima 50 mil pacientes por ano, o que "torna o projeto de erradicação mais viável" e sem restrições.

"A meta é alcançável, pois distribuiremos até o ano que vem o dobro de testes feitos para identificar os portadores de hepatite C, totalizando 12 milhões de diagnósticos", informou Barros após a abertura do evento.

Segundo o ministro, 155 mil pessoas estão notificadas com a doença no Brasil e metade está tratada ou em tratamento.

"O Brasil não recebe subsídio para o tratamento e está dando um exemplo para o mercado de que é preciso reduzir preços através de uma negociação duríssima com a indústria farmacêutica, o que já nos permitiu uma economia de R$ 4 milhões", enfatizou.

Modelo

Barros ressaltou que a ação foi inspirada em experiências anteriores, como a de Portugal, onde "se compra a cura e não o tratamento" e onde o plano é pautado em negociações mais diretas com a indústria farmacêutica para disponibilizar os medicamentos adequados para cada paciente a um custo de até R$ 9,9 bilhões, valor que só será pago após atestado de cura do paciente.

De acordo com o diretor do Departamento de HIV e do Programa Global de Hepatite da OMS, Gottfried Hirnschall, o Brasil é considerado um modelo para o desenvolvimento do combate à doença.

"Foi o país que solicitou a formalização do Dia Mundial de Combate à Hepatite", destacou ele.

Outro problema discutido no encontro foi a necessidade urgente de fazer testes em massa com a população, para diagnosticar três vezes mais pacientes, com base na meta proposta pela WHA.

Segundo a organização, os últimos dados sobre a hepatite C revelam que a cada cinco pacientes com a doença no mundo apenas um sabe que tem. Atualmente, 69 milhões de pessoas sofrem com a hepatite, mas apenas 14 milhões sabem que têm.

A WHA alertou sobre a necessidade de acelerar os planos nacionais e internacionais de tratamento, pois a maioria dos países "está ficando sem pacientes para tratar por causa das baixas taxas de diagnóstico em todo o mundo".

A Cúpula Mundial de Hepatites 2017 é realizada pela OMS e pela WHA até a próxima sexta-feira, 3, com vários debates, principalmente sobre a necessidade de fomentar políticas públicas e tratamentos mais eficazes para as hepatites virais no mundo. /EFE

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