Brasil não precisa se preocupar com gripe suína, diz Lula

Há apenas 3 casos suspeitos, registrados em Minas Gerais; governo de SP diz que situação está sob controle

da Redação, estadao.com.br

27 Abril 2009 | 15h16

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ter sido informado no domingo pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, que o Brasil, por enquanto, não tem motivos para se preocupar com a gripe suína. Segundo ele, Temporão telefonou ao presidente à noite de Istambul, Turquia, e confirmou que nenhum caso foi registrado no Brasil, a não ser a suspeita sobre o casal mineiro que estava em Cancún, no México, e voltou para o País. Fazendo o sinal da cruz, o presidente afirmou: "Graças a Deus, até agora, não chegou ao Brasil. Eu espero que não chegue nunca." Mais tarde, foi anunciada uma terceira suspeita em Minas que é investigada pela Secretaria de Saúde do Estado

 

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O casal, que mora em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, desembarcou por volta das 4 horas da madrugada no Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins. Eles foram internados nesta segunda-feira, 27, no Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.  Em nota, o hospital informou que eles foram encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde e transportados pela equipe do Samu, em esquema especial de segurança, chegando ao hospital por volta do meio-dia. Eles estão internados em leitos especiais e isolados.

 

Horas depois da fala do presidente, a Secretaria da Saúde mineira informou que uma terceira pessoa, que viajou recentemente para a área de risco, também se encontrava em observação, mas sem apresentar os sintomas mis diretamente identificados com a doença.

 

O secretário da Agricultura de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues, disse que o surto de gripe suína "não representa um fator de preocupação à vista" para o Estado. Ele informou, no entanto, que o setor de vigilância sanitária está atento. "Assim como ocorreu com a gripe aviária, estamos atentos e vigilantes e o IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) mantém uma rotina de fiscalização, mas ainda não há nada no Brasil", disse ele.

 

Em São Paulo, o governador José Serra afirmou que a situação está sob controle. Ele admitiu, porém, que há possibilidade da entrada da gripe suína no Brasil, por meio da chegada ao País de pessoas contaminadas. "Tudo pode acontecer, até agora a situação está sob controle, mas não é impossível alguém entrar com gripe suína", afirmou. "O importante é descobrir logo porque a maneira de parar a transmissão é isolar o paciente", disse o governador em Ribeirão Preto, após participar da abertura da Agrishow 2009.

 

Serra lembrou que a montagem de barreiras em aeroportos e portos para evitar a entrada de casos suspeitos da doença cabe à Vigilância Sanitária federal, mas que o governo paulista colabora na ação de combate. "O Ministério da Saúde tem de cuidar de quem entra do exterior e a autoridade que fica no aeroporto e nos portos é a Vigilância Sanitária federal, mas a estadual está colaborando", disse. "Estamos disponíveis para tudo que for necessário, pois a ação principal neste momento é a vigilância com o isolamento de possíveis casos."

 

Controle

 

O diretor da Anvisa, Agenor Alvares da Silva, afirmou serão produzidos 100 mil folders para serem distribuídos a passageiros que embarcam e desembarcam dos Estados Unidos, México e Canadá, onde há casos de gripe suína confirmados. Nesse primeiro momento, 70 mil folhetos serão usados no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, e o restante no Galeão, no Rio de Janeiro.

 

A expectativa é de que esse número, ao longo da semana, seja ampliado e possa chegar até a um milhão de folhetos. Além dos folders, a Anvisa deverá fazer hoje uma tomada de preços para a compra de máscaras para serem usadas por funcionários da Agência responsáveis pela fiscalização.

De acordo com Alvares da Silva, todos os dias, desembarcam no país 7 mil passageiros vindos dos Estados Unidos, México e Canadá. Foi distribuído ainda um áudio, que deverá ser usado nos voos com alerta aos passageiros sobre os sintomas da doença.

 

Os comissários das companhias aéreas serão questionados quando o avião chegar, por funcionários da Anvisa, se há casos suspeitos. Se isso for confirmado, um médico será encaminhado ao local para que o passageiro não tenha contato com pessoas no aeroporto. As máscaras que serão adquiridas poderão ser distribuídas também para passageiros que desembarcarem, mas somente quando houver casos suspeitos no avião em que estiverem.

 

Atualizado às 19 horas para acréscimo de informações.

 

(Com Clarissa Oliveira, Liège Albuquerque, Lígia Fomenti, Gustavo Porto, Solange Spigliatti e Raquel Massote)

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