Brasil terá banco para armazenar material biológico a partir de 2012

Inmetro deu início nesta sexta à obra do centro, no campus de Xerém da UFRJ, em Duque de Caxias

Agência Brasil

03 Dezembro 2010 | 18h07

RIO DE JANEIRO - Para orientar a indústria farmacêutica na fabricação de remédios e ajudar nas pesquisas científicas, o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) deu início nesta sexta-feira, 3, à obra do Centro Brasileiro de Material Biológico, no campus de Xerém, em Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

Orçado em R$ 11,5 milhões e com o objetivo de armazenar microrganismos (bactérias, fungos e leveduras), além de células animais, o banco funcionará como uma reserva técnica, disponível a partir de 2012. Ele deve receber também coleções de referência de outras instituições do País e estrangeiras.

"Para ninguém [pesquisadores] querer reinventar a roda, é importante um complexo com esse material disponível. Um lugar confiável e seguro, no qual é sabido que o material não será desencaminhado. É uma infraestrutura para todo o desenvolvimento biotecnológico brasileiro", afirmou o presidente do Inmetro, João Jornada.

Em parceria com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o complexo servirá ainda para armazenar patentes de microrganismos produzidos no Brasil, facilitando o registro de propriedade e poupando tempo e dinheiro dos cientistas.

"Toda vez que se desenvolve algum tipo de microrganismo, esse material pode dar origem a uma patente. Até hoje, ele era depositado em instituições fora do País, enfrentando uma série de complicações alfandegárias e de segurança", disse o presidente do Inpi, Jorge Ávila.

Atualmente, o armazenamento de mostras desses microrganismos para registro de patente é feito em bancos na Alemanha ou nos Estados Unidos. Com a criação do depósito do Inmetro, também será possível guardar material para backup, destacou Jornada.

Deve fazer parte do centro de material biológico o Banco de Células do Rio de Janeiro (BCRJ), que funcionava na Universidade Federal do Estado, na zona norte da capital fluminense, e foi transferido para Xerém. O laboratório tem 350 amostras de células guardadas com nitrogênio.

Além disso, durante a visita do ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao centro, o Inmetro anunciou a conclusão do material que servirá de modelo para o fármaco captopril, distribuído para pacientes com hipertensão.

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