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Brincadeiras e naturalidade ajudam crianças a lidar com a troca de dentes

Momento é apropriado para conversas sobre saúde bucal; empresa cria álbum para colecionar dentes de leite

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

19 Setembro 2017 | 07h00

SÃO PAULO - A troca de dentes é um momento marcante para as crianças e pais, que até transformam a experiência em um momento lúdico, com brincadeiras como a da "fada do dente" - que "substitui" os dentes de leite por uma moeda -, mas também traz muitas dúvidas para a família. Quando a dentição começa a mudar? Como cuidar da gengiva após um dente cair? É preciso de ajuda profissional para arrancar um dente?

Professora da pós-graduação em Odontopediatria da Universidade de São Paulo (USP), Karla Rezende diz que a troca dos dentes de leite pelos permanentes deve ser vista como um evento natural e que não há uma idade específica para que ela ocorra.

"Começa por volta dos 5 anos e meio, 6 anos, mas existem fatores ambientais e genéticos que interferem. Então, não tem uma idade padrão. Os primeiros dentes que costumam cair são os inferiores, que começaram a irromper por volta dos 6 meses de vida."

Os sinais de que um dente vai cair são conhecidos, mas, às vezes, eles podem ser desconfortáveis para a criança e os pais devem estar atentos para ajudá-los e para explicar o processo que está ocorrendo.

"A criança pode sentir um incômodo nos dentes, principalmente nos na frente, que têm a função de agarrar o alimento. Quando está muito mole, é um evento natural, mas algumas crianças ficam incomodadas e não querem comer ou escovar os dentes." Os pais podem oferecer um alimento mais consistente, como uma maçã, para ajudar no processo ou, caso o processo esteja afetando a criança, levá-la ao dentista para fazer a remoção.

Após a queda do dente, a gengiva pode apresentar inchaço ou vermelhidão e isso também pode ser facilmente resolvido em casa. E de uma forma que agrada os pequenos. "Não tem necessidade de medicamento. A gente indica bebidas frias e sorvete, que fazem a vasoconstrição e diminuem o processo inflamatório na região."

Karla explica que a fase é rodeada por histórias que auxiliam a criança a viver a transição sem traumas. "Há lendas populares em muitos países. Além de mostrar que a criança está crescendo, servem para que ela não tenha medo e se acostume com a queda dos dentes."

A odontopediatra explica que os dentes podem ser encaminhados para bancos para pesquisa ou para guardar as células-tronco contidas deles. Ou podem ser guardados como recordação. "Alguns pais gostam de guardar para fazer pingente. Tem kits para os pais guardarem o primeiro dentinho e álbuns parecidos com os de figurinhas."

Álbum

 Notando que muitos pais queriam guardar os dentes de leite dos filhos, a empresa brasileira Angelus, que atua no setor odontológico, criou um álbum que pode ser personalizado com foto e informações sobre a troca de dentição da criança.

Lançado no ano passado, o Dental Album já vendeu 600 mil unidades no Brasil e em 30 países no período. "Ele é um motivador para a criança se relacionar com a boca. Quando o filho perde um dente, os pais não jogam fora. A ideia é utilizar a perda dental para transformar em história e guardar como recordação", explica Roberto Alcântara, fundador e CEO da Angelus.

O cuidado com os dentes também é uma preocupação, segundo ele. "Queremos que tenha essa interação entre os pais e a criança. O que a gente quer, como empresa, é que as pessoas tenham a preocupação com o dente saudável para que essas crianças tenham uma dentição perfeita na fase adulta." 

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