Britânico que ajudou mulher a se matar com saco plástico não será julgado

Promotoria afirma que único motivo de marido de 63 anos foi compaixão com mulher que sofria de dores

BBC Brasil, BBC

25 Maio 2010 | 08h44

Um britânico que ajudou sua mulher a cometer suicídio ao colocar um saco plástico sobre sua cabeça não será processado, afirmou a promotoria pública (Crown Prosecution Service, CPS na sigla em inglês).

A CPS afirmou que haveria provas suficientes para indiciar Michael Bateman, 63 anos, pela ofensa criminal de ajudar ou instigar um suicídio, mas que não é do interesse público fazê-lo.

Bateman admitiu ter ajudado sua mulher, Margaret, que sofreu de dores durante décadas, a cometer suicídio em outubro passado.

Margaret Bateman morreu inalando gás hélio com um saco plástico sobre sua cabeça.

Bryan Boulter, promotor da CPS que revisou o caso, concluiu que o único motivo de Bateman para o envolvimento na morte de sua mulher foi compaixão.

Segundo o jornal Daily Telegraph, Margaret esteve confinada por anos a uma cama por causa de dores extremas. Os médicos não conseguiram um diagnóstico para sua condição.

'Anos de cuidados'

Segundo ele, Margaret Bateman "Tinha o desejo claro e decidido de cometer suicídio", de acordo com as entrevistas com seus filhos e com seu marido.

"Também está claro que Bateman foi totalmente movido pela compaixão", disse Boulter.

"Ele se importava profundamente com sua mulher e cuidou das necessidades diárias dela por vários anos. Não há nenhuma prova de que o motivo tenha sido outro, que não compaixão."

Bateman admitiu ter ajudado sua mulher a colocar o saco plástico sobre sua cabeça e ter montado o aparelho para a emissão do gás hélio.

Mas foi Margaret que amarrou o barbante do saco e ligou o suprimento de gás, segundo concluiu a investigação da promotoria.

Um porta-voz da CPS disse que não podia dar detalhes sobre a condição de saúde de Margaret Bateman "por razões de privacidade".

"Bateman cooperou totalmente com a investigação sobre o suicídio e admitiu, por conta própria, tê-la ajudado", disse Boulter.

"Assim, há provas suficientes para acusá-lo pelo crime de ajudar alguém a cometer suicídio, mas isso não seria do interesse público nas circunstâncias particulares deste caso."

A BBC não conseguiu contatar Bateman para comentar o caso. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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