Nasa/Divulgação
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Busca por Terras e origem do Universo pautam encontro de astrônomos

Durante duas semanas, mais de 2 mil astrônomos compartilharam seus descobrimentos e experiências em evento trienal

Efe,

31 Agosto 2012 | 15h12

 Os avanços na busca das origens do Universo e dos planetas similares à Terra foram os principais assuntos discutidos na 28ª edição da Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, encerrada nesta sexta-feira, 31, em Pequim, na China.

Durante duas semanas, mais de 2 mil astrônomos compartilharam seus descobrimentos e experiências neste evento trienal, iniciado em 1922 e que nesta ocasião foi sediado em um dos países que aposta com maior ambição na pesquisa do espaço.

Os futuros observatórios solares, a construção de "supertelescópios" no Chile e no Havaí (EUA) e os avanços no descobrimento de objetos cada vez menores no espaço foram alguns dos temas que mais foram abordados durante as conferências.

"Um dos objetivos é encontrar um planeta o mais similar possível com a Terra; estão se descobrindo 'Jupíteres', mas podemos descobrir planetas menores", contou à Agência Efe David Montes, astrofísico da Universidad Complutense de Madri e um dos participantes da assembleia.

Nesta 28ª edição da assembleia, os astrônomos também anunciaram um importante descobrimento, o do primeiro sistema multiplanetário e circumbinário (dois planetas orbitando ao redor de dois sóis), batizado como Kepler-47 e situado na constelação do Cisne da Via Láctea, há 5 mil anos luz da Terra.

A China, uma civilização que durante séculos foi uma das mais avançadas em astronomia (por exemplo, na previsão de eclipses ou na observação de supernovas, que os chineses chamavam de "convidadas"), possui uma grande intenção de colaborar com a procura dessa nova "Terra", já que possui telescópios e observatórios na Antártida.

O país asiático é um dos que aposta com mais ambição na pesquisa do espaço, tanto com seu programa de missões tripuladas como por sua intenção de construir seu próprio telescópio solar e aumentar o potencial de seus observatórios no Polo Sul.

"Agora, a China tem tanta capacidade em ciência que praticamente se iguala a todos os projetos europeus e americanos", afirmou à Agência Efe Valentín Martínez Pillet, coordenador de projetos do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias.

Segundo Pillet, se os chineses se esforçarem em torno dos mesmos objetivos da Nasa e da Agência Espacial Europeia poderia haver mais dados e "seria estupendo".

Outra linha de pesquisa muito viva na astrofísica atual é o estudo da origem do Universo: o "Bing Bang" já não é um mistério, mas ainda não há um consenso sobre o que se passou desde aquela grande explosão inicial ao atual Universo.

"Graças a uma nova câmara no Telescópio Espacial, há dois ou três anos, estamos começando a analisar como se formaram os primeiros objetos, descobrindo que eram muito menores que o tamanho das galáxias atuais", explicou Ignacio Trujillo, também cientista do Observatório Astrofísico das Ilhas Canárias.

"Tínhamos visto a explosão do 'big bang' com a radiação de fundo, mas nos faltava unir esses períodos primitivos até o universo próximo", declarou o especialista, que ressaltou que outro dos desafios é ver qual vai a ser o futuro do telescópio das Canárias, o maior atualmente. No entanto, em dez anos, ele será superado pelos do Chile e Havaí.

Os chineses, de fato, poderiam ter interesse em usar o arquipélago espanhol para seus projetos paralelos aos internacionais. "Uma possibilidade é que países como China e a Índia, que estão investindo muito dinheiro agora, decidam pôr nas Canárias um telescópio com estas mesmas características", explicou Trujillo.

Em relação à vida em outros planetas, essa não parece ser uma grande obsessão dos cientistas, sendo que alguns, como o Nobel de Física de 2011, Brian Schmidt, dizem que talvez seja melhor nem buscá-la.

"Provavelmente não é o mais inteligente dizer aos alienígenas onde estamos, já que um encontro com eles poderia não ser muito agradável", assinalou o cientista na assembleia, enquanto Martínez Pillet afirmou que avanços neste sentido são inevitáveis.

"Esses avanços serão alcançados em alguma missão que será lançada não antes de 2030 e 2040. Nesse período de 10 anos é possível que a Nasa e a Agência Espacial Europeia lancem uma missão que permita encontrar moléculas orgânicas na atmosfera de outros planetas", completou.

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