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Sérgio Castro/Estadão

Instituto Butantã e Sanofi vão buscar vacina contra o zika

Instituto brasileiro e laboratório francês pretendem aproveitar tecnologia desenvolvida em imunizante da dengue

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Fabiana Cambricoli e Jamil Chade,
O Estado de S. Paulo

03 Fevereiro 2016 | 03h00

Concorrentes no desenvolvimento da vacina contra a dengue, o Instituto Butantã e o laboratório francês Sanofi Pasteur deverão competir também no processo de criação de uma vacina contra o zika. Os dois já consideram utilizar a tecnologia desenvolvida para o imunizante da dengue para acelerar as pesquisas do novo produto.

Em um comunicado divulgado nesta terça-feira, 2, a empresa francesa afirmou que, embora o processo possa levar anos, “o sucesso obtido no desenvolvimento de vacinas contra vírus similares” pode acelerar o processo. Um deles seria a vacina contra a dengue que, em 20 anos, já custou € 1 bilhão para a empresa. Conhecida como Dengvaxia, a nova vacina já recebeu registro dos reguladores mexicanos e brasileiros, mas ainda aguarda o processo de definição de preço no País.

Na avaliação dos cientistas da empresa, as similaridades entre dengue e zika – ambos espalhados pelo mosquito Aedes aegypti – poderia tornar possível o uso da Dengvaxia contra ambas as doenças, ainda que no caso do zika vírus a eficiência poderia ser menor. 

Se não for confirmada sua eficiência, a Sanofi acha que pelo menos o novo produto poderia “mostrar o caminho” para uma vacina que possa funcionar. A empresa admite que está avaliando se os testes clínicos de Dengvaxia na América Latina podem ser adaptados para zika.

Butantã. Embora ainda esteja na fase 3 de pesquisas da vacina da dengue, o Instituto Butantã quer trilhar caminho semelhante. De acordo com o diretor da entidade, Jorge Kalil, está sendo estudada a possibilidade de inserir um gene do zika vírus no produto contra a dengue e verificar a eficácia contra as duas doenças. “Quem sabe, no futuro, poderíamos ter uma vacina pentavalente, que protegesse contra os quatro sorotipos da dengue e contra o zika”, disse.

Kalil afirma, no entanto, que a vacina contra o zika não estaria disponível em período inferior a três anos. “Ainda demoraria um ano para o início dos testes em humanos e mais dois anos para essa fase.”

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